domingo, 13 de dezembro de 2009

um pequeno fluxo de consciência

eu não aguento mais. ver filmes, ouvir músicas, ouvir sobre o the Clock, sobre o the Morrison , estudar matemática e física e lembrar de você. Ouvir frases clichês de filmes e imaginar eu dizendo todas ou boa parte delas para você, acrescentando ou tirando o que eu achar que devo.

às vezes (muitas ou poucas, já parei de tentar medi-las) creio que tudo isso é bobagem outras vezes tenho CERTEZA de que não - que basta eu chegar lá,olhar pra você e vomitar tudo o que eu tenho aqui dentro que as coisas vão voltar ao lugar de onde nunca deveriam ter saído e pra onde eu gostaria tanto que voltassem. não aguento mais ver comédia romântica e me imaginar olhando exatamente pra você, repetindo tudo aquilo que eles dizem não aguento mais ouvir queen e pensar que aquela poderia ser mais uma música das várias que teriam composto a nossa trilha sonora. nao aguento ficar me segurando pra não te ver e depois me arrepender por nao ter gastado outros 15 minutos como os últimos que tivemos - nos quais eu nao continha o sorriso dengoso, você me olhava como nas nossas primeiras idas ao cinema e eu fazia os comentários sarcásticos que te faziam rir e me achar um verdadeiro docinho (ainda que eu ache essa idéia no mínimo absurda porque eu estou mais pra pimentinha).

eu odeio o talvez e odeio ficar constantemente me perguntando o que teria sido. "E SE.." me mata e elimina quaisquer das minhas possibilidades de eu me deixar ser minimamente livre por que é tão dificil pra mim reproduzir na sua frente um milionésimo das coisas que eu fico ensaiando na minha cabeça, na frente da tv do rádio e no computador - como faço agora. o pior é que eu nao sei lidar com esse medo, esse temor que tenho aqui, de nao saber o que se passa dentro de vc -se é que passa algo referente a mim - o que vc pensa sobre mim e o que acha de tudo isso. incrivel como nos conhecemos poucos e como vc já parece fazer parte de mim, dos meus gostos, das minhas lembranças e das minhas projeções e ludibriações sobre o futuro. eu queria ter um pequeno, mísero indicio que fosse sobre o que se passa aí no seu interior, porque aqui no meu eu já estou desitindo de achar um mapa que me ajude a organizar o caos de idéias sensações e desejos que se passam aqui. cacete por que voce tinha que ser impresivel assim pra mim - vc não gosta quando eu falo palavrão mas tudo bem, vc nao vai ler isso mesmo. por que vc não poderia ser como o ultimo, para quem tudo estava tão previsivel quanto as falas clichês das comédias românticas que eu venho assistindo. eu planejava as minhas falas, as respostas dele e tudo andava mais ou menos nos trilhos - por que vc tem que ser diferente? talvez por isso que esteja aqui agora me revirando na busca por uma explicação desses fragmentos que eu quero encaixar mas que temo não fazerem mais sentido algum pra vc.

ok, eu pisei na bola. vc também teve suas falhas mas a sensação que ficou em mim é que eu deixei escapar nos ultimos segundos. quando eu estava ali, finalmente assistindo à reação que eu queria e ouvindo (ou melhor, lendo) muitas das coisas que eu fiquei imaginando por semanas.. justo ali quando tudo isso finalmente parecia chegar à estação mundo real eu me descontrolei e falei algumas coisas que estavam (bem) entaladas. algumas foram no momento, outras, apesar de meio rudes, continuo acreditando que revelá-las era realmente importante- sao detalhes que nao podem ficam meio desapercebidos em um relação, qualquer que ela seja. mas eu derrapei na curva final... me senti potente na época, idiota algum tempo depois e assim, perdida, hoje. mas vc tambem, tinha que demorar tanto assim pra falar tudo aquilo? eu sou meio apressada e impaciente já tinha te falado isso - mas vc e essa sua mania de duvidar das minhas tosquices e defeitos, por mais que eu os contasse. bom, eu não sou perfeita, vc também não, mas vc parecia rir e desacreditar dos leves desabafos que eu fazia. lembro de nós comprando doces ali perto e vc me perguntando: "vc nao é daquelas pessoas que ja acordam de mau humor reclama do mundo e descontam isso em outros pessoas né?". vc riu. e eu fiquei sem graçaa, como se dizendo pelo meu olhar desesperado: sim, sim sou eu, eu tenho dessas mas não me condene por isso. está tudo bem assim, eu nao vou remoer aquilo que tbm me desagradar em vc". é como se eu pedise por favor, não tire essa minha máscara. eu temo qual a sua reação quando vc se deparar com o que tem debaixo dela e dentro de mim.

no fundo eu me pergunto se nao construi um personagem pra te agradar. não me remodelar por completo, mas ir fazendo algumas coisas que nao fazila muito parte de mim e que passaram a ser quando estavamos juntos. eu não mudei - me sinto totalmente eu hoje - mas lembro de me sentir totalmente eu com vc também. temo que não consigamos levar uma conversa daquelas, que dizíamos sobre tudo, indo desde filosofia até fisica, passando pelas viagens a São Carlos e combinando o cinema do próximo fim de semana. vc queria me levar pra lá e eu ria dizendo que vc deveria me colocar no seu bolso que o problema estava resolvido. ríamos, vc me dava beijinhos e eu me sentir vermelha. e quando vc me pôs no colo ali, no meio da praça. eu toda pudorada, dizendo calma, aqui nao é lugar, e vc respondendo dane-se o que eles vao pensar, vc nao deve nada a ninguém. no fundo, eu bancava a pseudo-revolucionaria e era vc quem me vinha com umas frases dessas. por mais que eu ensaiasse o dia oui ate semana quase toda pra bater um papo serio contigo vc vinha, ria e me beijava. e eu ria, e ficava sem reação, saindo boba, ficando com aquele sorriso de apaixonada até altas horas da noite.

e, por mais que eu escreva, sinto que não resolve. escrever sempre me ajuda a ponderar, a me achar e me fazer entender boa parte daquilo que eu não entendo. mas dessa vez não. quando mais escrevo, mais afundo nisso tudo, mais perdida e sem reação fico, mais sedenta por uma conversa, um almoço, uma duvida que me levem a vomitar tudo isso que se passa em mim. me desculpa a pressa, mas eu te avisei da minha impaciência. mas vc foi injusto tambem comigo pois, por mais que eu avisava, vc ria, me beijava, e me fazia acreditar que aquilo tudo nao tinha a mínima importância. tudo bem, eu fiz com que isso tivesse importancia até maior do que a real, mas vc deveria ter me feito parar pra que eu -mesmo sabendo que vc poderia nao voltar mais- me contivesse e tentasse falar aquilo tudo de um jeito mais delicado. acho que até hoje vc não entendeu os meus porquês, mas eu nao tenho coragem o suficiente pra olhar pra vc e te explicar tudo direitinho - ja tentei fazer isso, mas sinto qe nao teve efeito algum, porque vc continuou sem entender. nao tem problema, dizia vc, e isso pra mim soava como um "deixa, agora já nao me importa mais". pra quem conversava ate 5 horas, sinto que agora falamos línguas totalmente distintas e incompreensíveis.

eu torço muito pra que vc esteja lá na 6a feira. na véspera da fuvest eu fui lá, mas vc nao estava. semana passada fiquei em casa estudando, dizendo deixa pra la, mas me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse ido -eu continuo achando que mudaria pouca coisa, mas mesmo assim nao ficaria com a sensação de falha e medo que sinto agora. eu torço pra te encontrar la, sair pra mais um almoço e poder dizer pelo menos um pouco desse vendaval que tem me virado de cabeça pra baixo nos ultimos dias. queria que vc voltase, mas me pergunto tambem como nao pode ser diferente, como seria nós dois juntos, daqui pra frente. talvez a gente devesse passar por isso pra construir um novo começo. mas me pergunto tambem se isso nao foi um ponto final. nunca como agora desejei nao acabar com esse texto, pois temo que ele seja a ultima referencia que farei a voce caso eu receba aquele nao definitivo que sempre me fez hesitar em conversar sério contigo.

que não haja ponto, exclamações, mas sim vírgulas e reticencias.


Inclinei-me depois sobre ela, rostoa rosto, mas trocados, os olhos de um na linha da boca do outro. pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia, mas nem esta razão a moveu.
-Levanta Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus e...

domingo, 6 de dezembro de 2009

a pessoa é para o que nasce





foi SENSACIONAL.

AC/DC 27/11/2009.


Chuva o dia todo, céu negro e a alma límpida.

Sim, por mais que inacreditável fosse encontrar dois uspianos atrás de mim - sendo que um deles tem a pachorra de soltar a seguinte frase `Voce sabia que 72% do Pantanal localiza-se no Mato Grosso do Sul?`. A minha pergunta é COMO, COMO um sujeito tem a cara-de-pau de soltar algo assim numa tarde feliz como aquela, de expectativa e muita espera (13 anos de espera)?! Enfim, comentarios feitos, tentei ignorar a presenca desses pobres universitarios - que me derama impressao de ter como unico grande feito na vida a entrada para a USP- e sentir tudo e todos que estavam ao meu redor.


O show mal tinha comecado e parecia que tudo ja estava lindo. As pessoas chegando, as camisetas, os comentarios, as expectativas -tudo tudo, pensado nos minimos detalhes. Pude ver as mais diversas reacoes das pessoas que pisavam na pista - alguns davam cambalhotas, outros se abracavam, uns rolavam de peixinho, outros ainda se ajoelhavam, como que em agradecimento aos deuses do rock por estarem ali, NO SHOW, apos horas de onibus advindos de Santa Catarina, Parana e Rio Grande do Sul (Mafre, Porto Alegre, Curitiba foram alguns nomes das muitas cidades sulinas que enviaram fas socados em onibus num sol de 30 graus rumo ao Morumbi).


Atras de mim, um careca, com argolas nas orelhas e tatuagens enfeitando todo o corpo ria, fumava e bebia cerveja, como se estivesse esperando aquele momento ha meses - se nao ha anos. Aquele tipico cara de filme norte-americano, dono de gangue de metaleiros que, ao menor movimento, gritarao na sua orelha a qualquer minuto - grito bruto, bem metaleiro mesmo. Uma primeira sensacao de medo logo deu lugar ao vislumbramento por me eu me deparar ali, pessoalmente, com um tipo que eu so havia visto em filmes.


chuva, chuva, mais chuva. cessam as gotas, acumulam-se os risos, as musicas, as especulacoes sobre detalhes do show - as musicas, os efeitos de luz e som, a estampa da cueca de Angus. Quando finalmente meu Cunhado me puxa pelo braco e me obriga a comprar a porra da capa de chuva (Vamos Le, olha o toró que vai cair / Nao Thi, relaxa, chuva é pra fracos, metaleiros de verdade vai até debaixo chuva.. e já estamos molhados mesmo, gota a mais, gota a menos..), Sao Pedro decide aprontar uma pegadinhaaaa e cassar o aguaceiro. (AHH MALANDROOO..). Enfim, irritacao momentanea passada, e quase meia hora gasta admirando a paisagem masculina (babeei num moreno sentado logo abaixo, mas qual foi a minha decepcao ao perceber que o rapazote ja estava devidamente - ou melhor, indevidamente - acompanhado. Alias, decepcão dupla ao notar que o teor de beleza da dita cuja era praticamente nula se comparada à do rapaz), as luzes finalmente se apagaram e comecou o pseudo show do falecido Nasi.


Olha, o Nasi que me perdoe, mas ele conseguiu ser PIOR do que eu pensava. Eu ja nao simpatizava com a voz do pobre cidadao.. depois do pseudo-show de abertura, lá pelas 8 e meia, a moral do ex-vocalista do IRA desceu ralo abaixo. Confesso que tocar Raul fi uma tentativa inteligente, porem mal sucedida, de salvar o show. Po, nem Raulzito foi capaz de salvar a pele do rapaz. Mas ouvir MOSCA NA SOPA, METAMORFOSE AMBULANTE e SOCIEDADE ALTERNATIVA - sabendo que minutos depois os australianos do AC/DC adentrariam o palco -foi algo INDESCRITIVEL. Raul é um genio, indiscutivelmente, e continua mais vivo do que nunca *.*


Meia hora depois, as luzes se apagam novamente, e comeca a rola um filminho nos teloes. A adrenalina subia, os pelos arrepiavam, os gritos ja ecoavam pelo morumbi. Tods ali, reunidos por um mesmo motivo - independente da idade, da condicao social e do local de origem. Todo mundo ali - pagando no minimo 120 mangos, cabulando trabalho, aniversario de pai, filho, esposa ou sogra (o que nao é lá uma pessima ideia). TODOOOS ALI, em NOME DO ROCK.

Sensacional. O filme termina, as luzes explodem, eles entram. O que se sucedeu naquelas duas horas de som ensurdecedor, de gritos historicos (como o meu) e de rostos perplexos - pela animacao dos coroas, pelo solo de Angus, pelo show de luzes e efeitos no palco, pelo show de fogos ao fim do show - foi uma transe indescritivel. E acredite: eu nao usei nada ilicito. Apenas me servi de um belo sanduiche de presunto e queijo , umas pipocas doces e uma garrafa d`água.


Até porque, usar qualquer coisa na tentativa de intensificar os arrepios causados pelso toques na guitarra, no baixo e na bateria, era pura tolice.


Sem querer imitar os nerds uspianos atras de mim quanto a capacidade de filosofar sobre temas toscos como a localizacao do pantanal (!?), mas, ao ver Angus ali, suando, descabelado, falando com a guitarra numa lingua unica e intraduzivel, de fato pensei que cada um é para o que nasce. Por um momento a ideia de ser jornalista não me pareceu tao distante e inalcançável, e - ainda nao descobri qual o impacto do grito da guitarra naquele instante sobre mim - talvez essa minha intuição não esteja tao enganada. Talvez meu sexto-sentido (seja ele feminino ou nao) esteja apontando para um caminho certo. E talvez as luzes que iluminavam Angus (numa das performances que se revelará uma das mais alucinantes da minha vida roqueira) se voltem para mim e clareiem a trilha à minha frente, ajudando-me a responder para o que eu nasci.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

coragem

Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possí­vel, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.

[Guimarães Rosa]



Não sei por que, mas ao longo dessa semana lembrei MUITO dessa frase.
Como diz uma amiga minha, no fim dá certo. Pq Ele tá olhando, tá sempre cuidando, tendo tudo planejado - por mais que duvidemos e que achemos que Ele tem coisa MUITO mais importante a tratar. De fato, acho que Deus tem TANTAA coisa importante e urgente pra cuidar, que eu pedir alguma coisa é pedir demais. Mas Ele é O CARA, sempre acaba arrumando tempo pra cuidar de TUDO.

Parando pra pensar, o ano ACABOU. Lá estou eu em semana de vestibulares de novo - acho que, definitivamente, essas vésperas têm um pouco mais de emoção esse ano. Ainda que com medo e insegurança, sinto que a minha atitude em relação aos pequenos desafios com que me deparo diariamente é que fez/ fará a diferença esse ano. Estar calma (ainda que isso pareça impossível), consciente de tudo o que eu fiz, ver que não é um bicho de sete cabeças e perceber a força que eu tenho dentro de mim está sendo algo DIVINO.

No fundo, todos temos uma força. Um talento. Um medo. Uma expectativa. um arrependimento. Uma decepção. Um não: muitos. Essa força brota como um rio: sem nem saber de onde nem por que, ela vai surgindo, como um fiozinho d'água, que vai tomando corpo e de repente inunda a nossa vida, dando-nos um ímpeto avassalador, pra seguir caminho independente das curvas e das barreiras que surjam à nossa frente. E, quando a gente vê, já estamos lá na frente, sendo formados pelas cicatrizes das pedras que transpassaram nosso caminho.



"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

descobrindo um velho conhecido



leminski resumiu minhas ultimas semanas: apesar de calma, de saco meio cheio.
talvez abriu-se a possibilidade de uma grande descoberta ,uma possivel futura grande paixao literaria :)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

new profile

muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima


lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema


palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema

[Viviane Mosé, filósofa e poeta]

domingo, 11 de outubro de 2009

do afeto

.NOS AFETAMOS. ISSO É FATO.
transceder obstáculos, alcançar metas, conquistar derrotas. Elevar-se ao abismo, buscar o fundo e, a partir disso, renascer, remodelar, reconstruir. Transceder sua míesera condição humana. Ditar SUAS regras, a ssumir a SUA vida e vivê-la - ah, vivê-la... não importa o que isso custe - o que naão implica pisar sobre outros. Viver a QUALQUER PREÇO: VIVER. SOFRER, SENTIR, PARTIR, CHEGAR, DAR, RECEBER E DEVOLVER. BUSCAR, ACIMA DE TUDO. Duvide. Teorize. Mas nunca deixe de exercer uma das plenas e típicas capacidades do ser humano: acreditar. Iluda-se - a ilusão, e não a verdade, é uma das maiores necessidades humanas. Tantas vezes chorei ao ver o sorriso de uma criança. Outras tantas me sinto sangrar, multiamputada pela frieza das pessoas - sua indiferença, seu egoísmo, sua prepotência. Essas fraquezas, em maior ou menor grau,estão presentas em cada indivíduo - com seu histórico, suas ambições, suas fragilidades, seu medos. E quem disseque termer é ser fraco? Para temer, é preciso coragem - de rever seu eu, de enfrentar os outros, de propôr uma solução e de persegui-la, por mais difícil que isso tudo pareça. Porém, a constante clarividência dessas falhas - cotidianamente, diariamente, hora a hora, minuto a minuto - tirem-me o chão e enfraquecem-me a perspectiva de acreditar no homem e de lutar por um mundo melhor. Impressionem-se com a beleza - e não com a vulgaridade - com a simplicidade - e não com o luxo - com a persistência e com a obstinação de se levantar de novo e de novo e de novo - não com mera inteligência.

por que não conseguimos nos olhar nos olhos? por que nos isolamos do mundo e, principalmente, do sofrimento alheio, por meio de fonese celulares - ignorando o desespero do outro que está AQUI: do nosso lado, à nossa frente, clamando também loucamente por um MÍNIMO de humanidade. será que ainda sabems o que é isso?

Milagres andam meio fora de moda ultimamente. É, faz uns três séculos que a RAZÃO é a DEUSA imperativa da nossa sociedade. muito além de milagres religiosos e míticos, eu VEJO milagres, assim: diariamente. uma mãe que trabalha e chega em casa, cuida do lar, vê a lição dos filhos e ainda deixa tempo pra preparar o almoço do dia seguinte com o maior AMOR possível, não deixando nunca de dar aquele beijo de boa noite antes de ir se deitar - ela que só consegue se aconchegar entre o trevesseiros e seus pensamentos após a casa estar em silêncio, em paz.
é a sua ligação com a vida que faz a vida. milagre é o estudante que não busca só estudar para obter diploma ou obter êxito profissional - glória cada vez maior nos dias de hoje - mas que acredita no poder do CONHECIMENTO como agente tranbsformador do indivíduo, do meio e do mundo. milagre é ver uma pai de família de periferia educando seus filhos, dizendo-lhes que, por mais que a vida tente mostrar o contrário, a desonestidade e o crime nao compensam, sendo a educaçao, o trabalho e o amor pela família as verdadeiras alavancas caso você busque uma vida minimamente plena e feliz - ainda que esse seja o caminho mais difícil. milagre é não desistir, é reformulares conceitos, repensar idéias e rever concepção. milagre é pedir perdão, olhando nos olhos do outro, PEDINDO VERDADEIRAMENTE aquele perdão como se nada mais no mundo importasse naquele momento. milagre é não desistir, é parar de reclamar mediante as dificuldades que a vida traz a TODOS - mais a uns do que a outros, é verdade. sim, há trânsito, há o caos, há o egoísmo, a individualidade, a indelicadeza e o grotesco. há frieza mais nas gentes do que no asfalto... e daí? o que você faz contra isso? tenta reacender o foga da humanindade que anda se apagando dia-a-dia em seu interior, ou esfria-se, tornando mais duro e impenetrável do que pedra? DEUS É milagre. mentira ou não, essa idéia de um SUPERIOR nos faz repensar na nossa fraqueza de desitir, de se soltar nos piores vicíos e se endurecer, esquecendo que o outro - ainda que outro, que frio, que duro, que egoísta - sofre tanto quanto nós. afinal, ele é reprodutor e também produto, sendo diretamente afetado por essa lógica puramente racionalista e cada vez menos humanista que impera hoje.

resgatar a humanidade. expandir idéias, relutar por valores, cessar reclames, caras, almas, e corações fechados. eis o nosso maior desafio hoje.

é a sua ligação com a vida que FAZ a vida.

você nasce homem.
mas torna-se HUMANO.

sábado, 10 de outubro de 2009

de uma menina BEM crônica




pessoas grossas, mal educadas, frias, calculistas, sem amor nem simpatia, tampouco empatia. tediosas, enfadonhas, individualistas, egoístas, secas. sem noção, sem semancol, sem algo novo. trânsito, onibus LOTAD-O, filas pra subir, pra descer, pra sair, pra entrar. correria, massacre, falta de tempo, de amor, de identidade, de consideração. falta de simplicidade, de preocupação, de gentileza, de caridade. falta BRUTAL de sorrisos, de abraços, de beijos e de GESTOS.