terça-feira, 29 de dezembro de 2009

do novo da ana cañas

Vem colorir
Solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher
O que ele
Tem e traz
Quem atender
O que ele diz
No giz do gesto
O jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite
Do silencio
Exibe
Em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

traduções de Caio F.

muito, muito por caso achei os pedaços interiores desse escritos na Internet, na madrugada de ontem. Não que eu já não tivesse sido apresentada a ele (alô Ana Lú!). Mas, minha nossa.. sabe quando você DESCOBRE, de fato? bateu - e puta.. latejou, fez um estrago como a chuva de ontem.


- sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você, ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que, no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?


...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.


No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. (deitada no colo, pedindo pelo ombro, no aperto espaçoso do metrô).

Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos.

E o pior é que tem um dos lugares mais bonitos mesmo. (você foi o melhor - nossa, há dois meses ouvi de outra exatamente o oposto).


mas, no fundo no fundo, não importa mais.

Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico.

e acho melhor parar... antes que transborde pelos olhos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ten Years Gone


Then as it was, then again it will be
An' though the course may change sometimes
Rivers always reach the sea
Blind stars of fortune, each have several rays
On the wings of maybe, down in birds of prey
Kind of makes me feel sometimes, didn't have to grow
But as the eagle leaves the nest, it's got so far to go

Changes fill my time, baby, that's alright with me

In the midst I think of you, and how it used to be
Did you ever really need somebody, And really need 'em bad?
Did you ever really want somebody, The best love you ever had?
Do you ever remember me, baby, did it feel so good
'Cause it was just the first time, And you knew you would

Through the eyes an' I sparkle, Senses growing keen
Taste your love along the way, See your feathers preen
Kind of makes makes me feel sometimes, Didn't have to grow
We are eagles of one nest
The nest is in our soul

Vixen in my dreams, with great surprise to me
Never thought I'd see your face the way it used to be
Oh darlin', oh darlin'

I'm never gonna leave you.
I never gonna leave Holdin' on, ten years gone
Ten years gone, holdin' on, ten years gone


quaaase morri *.*
led é uma das minhas favoritas, sem dúúúúvida.

e, minha nossa, e mesmo eu contando como foi tudo aquilo ainda rio e me divirto com você.

Feliz Natal a todos.
Que esse sentimento de renovação e de esperança renasça em cada um de nós.
TODOS OS DIAS.

domingo, 20 de dezembro de 2009

é preciso valorizar o não dito.


Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta chance, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço como o meu esqueleto.´


Você tem cinco minutos pra se entregar a uma tristeza profunda..
curta-a.
abrace-a.
descarte-a.
e prossiga...

talvez o seu cheiro demore pra sair da minha roupa.
e eu não esqueça tão cedo da sensação do teu colo.
mas eu não temi.
no fim, creio mesmo que tudo saiu como deveria sair. e nunca estive tão feliz, ainda que meio boquiaberta, por isso.

da próxima vez, vejo esse filme com uns 8 meses de antecedência. sabe, é que, no fundo no fundo, eu adoro um suspense,

começa-se uma nova etapa.

domingo, 13 de dezembro de 2009

um pequeno fluxo de consciência

eu não aguento mais. ver filmes, ouvir músicas, ouvir sobre o the Clock, sobre o the Morrison , estudar matemática e física e lembrar de você. Ouvir frases clichês de filmes e imaginar eu dizendo todas ou boa parte delas para você, acrescentando ou tirando o que eu achar que devo.

às vezes (muitas ou poucas, já parei de tentar medi-las) creio que tudo isso é bobagem outras vezes tenho CERTEZA de que não - que basta eu chegar lá,olhar pra você e vomitar tudo o que eu tenho aqui dentro que as coisas vão voltar ao lugar de onde nunca deveriam ter saído e pra onde eu gostaria tanto que voltassem. não aguento mais ver comédia romântica e me imaginar olhando exatamente pra você, repetindo tudo aquilo que eles dizem não aguento mais ouvir queen e pensar que aquela poderia ser mais uma música das várias que teriam composto a nossa trilha sonora. nao aguento ficar me segurando pra não te ver e depois me arrepender por nao ter gastado outros 15 minutos como os últimos que tivemos - nos quais eu nao continha o sorriso dengoso, você me olhava como nas nossas primeiras idas ao cinema e eu fazia os comentários sarcásticos que te faziam rir e me achar um verdadeiro docinho (ainda que eu ache essa idéia no mínimo absurda porque eu estou mais pra pimentinha).

eu odeio o talvez e odeio ficar constantemente me perguntando o que teria sido. "E SE.." me mata e elimina quaisquer das minhas possibilidades de eu me deixar ser minimamente livre por que é tão dificil pra mim reproduzir na sua frente um milionésimo das coisas que eu fico ensaiando na minha cabeça, na frente da tv do rádio e no computador - como faço agora. o pior é que eu nao sei lidar com esse medo, esse temor que tenho aqui, de nao saber o que se passa dentro de vc -se é que passa algo referente a mim - o que vc pensa sobre mim e o que acha de tudo isso. incrivel como nos conhecemos poucos e como vc já parece fazer parte de mim, dos meus gostos, das minhas lembranças e das minhas projeções e ludibriações sobre o futuro. eu queria ter um pequeno, mísero indicio que fosse sobre o que se passa aí no seu interior, porque aqui no meu eu já estou desitindo de achar um mapa que me ajude a organizar o caos de idéias sensações e desejos que se passam aqui. cacete por que voce tinha que ser impresivel assim pra mim - vc não gosta quando eu falo palavrão mas tudo bem, vc nao vai ler isso mesmo. por que vc não poderia ser como o ultimo, para quem tudo estava tão previsivel quanto as falas clichês das comédias românticas que eu venho assistindo. eu planejava as minhas falas, as respostas dele e tudo andava mais ou menos nos trilhos - por que vc tem que ser diferente? talvez por isso que esteja aqui agora me revirando na busca por uma explicação desses fragmentos que eu quero encaixar mas que temo não fazerem mais sentido algum pra vc.

ok, eu pisei na bola. vc também teve suas falhas mas a sensação que ficou em mim é que eu deixei escapar nos ultimos segundos. quando eu estava ali, finalmente assistindo à reação que eu queria e ouvindo (ou melhor, lendo) muitas das coisas que eu fiquei imaginando por semanas.. justo ali quando tudo isso finalmente parecia chegar à estação mundo real eu me descontrolei e falei algumas coisas que estavam (bem) entaladas. algumas foram no momento, outras, apesar de meio rudes, continuo acreditando que revelá-las era realmente importante- sao detalhes que nao podem ficam meio desapercebidos em um relação, qualquer que ela seja. mas eu derrapei na curva final... me senti potente na época, idiota algum tempo depois e assim, perdida, hoje. mas vc tambem, tinha que demorar tanto assim pra falar tudo aquilo? eu sou meio apressada e impaciente já tinha te falado isso - mas vc e essa sua mania de duvidar das minhas tosquices e defeitos, por mais que eu os contasse. bom, eu não sou perfeita, vc também não, mas vc parecia rir e desacreditar dos leves desabafos que eu fazia. lembro de nós comprando doces ali perto e vc me perguntando: "vc nao é daquelas pessoas que ja acordam de mau humor reclama do mundo e descontam isso em outros pessoas né?". vc riu. e eu fiquei sem graçaa, como se dizendo pelo meu olhar desesperado: sim, sim sou eu, eu tenho dessas mas não me condene por isso. está tudo bem assim, eu nao vou remoer aquilo que tbm me desagradar em vc". é como se eu pedise por favor, não tire essa minha máscara. eu temo qual a sua reação quando vc se deparar com o que tem debaixo dela e dentro de mim.

no fundo eu me pergunto se nao construi um personagem pra te agradar. não me remodelar por completo, mas ir fazendo algumas coisas que nao fazila muito parte de mim e que passaram a ser quando estavamos juntos. eu não mudei - me sinto totalmente eu hoje - mas lembro de me sentir totalmente eu com vc também. temo que não consigamos levar uma conversa daquelas, que dizíamos sobre tudo, indo desde filosofia até fisica, passando pelas viagens a São Carlos e combinando o cinema do próximo fim de semana. vc queria me levar pra lá e eu ria dizendo que vc deveria me colocar no seu bolso que o problema estava resolvido. ríamos, vc me dava beijinhos e eu me sentir vermelha. e quando vc me pôs no colo ali, no meio da praça. eu toda pudorada, dizendo calma, aqui nao é lugar, e vc respondendo dane-se o que eles vao pensar, vc nao deve nada a ninguém. no fundo, eu bancava a pseudo-revolucionaria e era vc quem me vinha com umas frases dessas. por mais que eu ensaiasse o dia oui ate semana quase toda pra bater um papo serio contigo vc vinha, ria e me beijava. e eu ria, e ficava sem reação, saindo boba, ficando com aquele sorriso de apaixonada até altas horas da noite.

e, por mais que eu escreva, sinto que não resolve. escrever sempre me ajuda a ponderar, a me achar e me fazer entender boa parte daquilo que eu não entendo. mas dessa vez não. quando mais escrevo, mais afundo nisso tudo, mais perdida e sem reação fico, mais sedenta por uma conversa, um almoço, uma duvida que me levem a vomitar tudo isso que se passa em mim. me desculpa a pressa, mas eu te avisei da minha impaciência. mas vc foi injusto tambem comigo pois, por mais que eu avisava, vc ria, me beijava, e me fazia acreditar que aquilo tudo nao tinha a mínima importância. tudo bem, eu fiz com que isso tivesse importancia até maior do que a real, mas vc deveria ter me feito parar pra que eu -mesmo sabendo que vc poderia nao voltar mais- me contivesse e tentasse falar aquilo tudo de um jeito mais delicado. acho que até hoje vc não entendeu os meus porquês, mas eu nao tenho coragem o suficiente pra olhar pra vc e te explicar tudo direitinho - ja tentei fazer isso, mas sinto qe nao teve efeito algum, porque vc continuou sem entender. nao tem problema, dizia vc, e isso pra mim soava como um "deixa, agora já nao me importa mais". pra quem conversava ate 5 horas, sinto que agora falamos línguas totalmente distintas e incompreensíveis.

eu torço muito pra que vc esteja lá na 6a feira. na véspera da fuvest eu fui lá, mas vc nao estava. semana passada fiquei em casa estudando, dizendo deixa pra la, mas me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse ido -eu continuo achando que mudaria pouca coisa, mas mesmo assim nao ficaria com a sensação de falha e medo que sinto agora. eu torço pra te encontrar la, sair pra mais um almoço e poder dizer pelo menos um pouco desse vendaval que tem me virado de cabeça pra baixo nos ultimos dias. queria que vc voltase, mas me pergunto tambem como nao pode ser diferente, como seria nós dois juntos, daqui pra frente. talvez a gente devesse passar por isso pra construir um novo começo. mas me pergunto tambem se isso nao foi um ponto final. nunca como agora desejei nao acabar com esse texto, pois temo que ele seja a ultima referencia que farei a voce caso eu receba aquele nao definitivo que sempre me fez hesitar em conversar sério contigo.

que não haja ponto, exclamações, mas sim vírgulas e reticencias.


Inclinei-me depois sobre ela, rostoa rosto, mas trocados, os olhos de um na linha da boca do outro. pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia, mas nem esta razão a moveu.
-Levanta Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus e...

domingo, 6 de dezembro de 2009

a pessoa é para o que nasce





foi SENSACIONAL.

AC/DC 27/11/2009.


Chuva o dia todo, céu negro e a alma límpida.

Sim, por mais que inacreditável fosse encontrar dois uspianos atrás de mim - sendo que um deles tem a pachorra de soltar a seguinte frase `Voce sabia que 72% do Pantanal localiza-se no Mato Grosso do Sul?`. A minha pergunta é COMO, COMO um sujeito tem a cara-de-pau de soltar algo assim numa tarde feliz como aquela, de expectativa e muita espera (13 anos de espera)?! Enfim, comentarios feitos, tentei ignorar a presenca desses pobres universitarios - que me derama impressao de ter como unico grande feito na vida a entrada para a USP- e sentir tudo e todos que estavam ao meu redor.


O show mal tinha comecado e parecia que tudo ja estava lindo. As pessoas chegando, as camisetas, os comentarios, as expectativas -tudo tudo, pensado nos minimos detalhes. Pude ver as mais diversas reacoes das pessoas que pisavam na pista - alguns davam cambalhotas, outros se abracavam, uns rolavam de peixinho, outros ainda se ajoelhavam, como que em agradecimento aos deuses do rock por estarem ali, NO SHOW, apos horas de onibus advindos de Santa Catarina, Parana e Rio Grande do Sul (Mafre, Porto Alegre, Curitiba foram alguns nomes das muitas cidades sulinas que enviaram fas socados em onibus num sol de 30 graus rumo ao Morumbi).


Atras de mim, um careca, com argolas nas orelhas e tatuagens enfeitando todo o corpo ria, fumava e bebia cerveja, como se estivesse esperando aquele momento ha meses - se nao ha anos. Aquele tipico cara de filme norte-americano, dono de gangue de metaleiros que, ao menor movimento, gritarao na sua orelha a qualquer minuto - grito bruto, bem metaleiro mesmo. Uma primeira sensacao de medo logo deu lugar ao vislumbramento por me eu me deparar ali, pessoalmente, com um tipo que eu so havia visto em filmes.


chuva, chuva, mais chuva. cessam as gotas, acumulam-se os risos, as musicas, as especulacoes sobre detalhes do show - as musicas, os efeitos de luz e som, a estampa da cueca de Angus. Quando finalmente meu Cunhado me puxa pelo braco e me obriga a comprar a porra da capa de chuva (Vamos Le, olha o toró que vai cair / Nao Thi, relaxa, chuva é pra fracos, metaleiros de verdade vai até debaixo chuva.. e já estamos molhados mesmo, gota a mais, gota a menos..), Sao Pedro decide aprontar uma pegadinhaaaa e cassar o aguaceiro. (AHH MALANDROOO..). Enfim, irritacao momentanea passada, e quase meia hora gasta admirando a paisagem masculina (babeei num moreno sentado logo abaixo, mas qual foi a minha decepcao ao perceber que o rapazote ja estava devidamente - ou melhor, indevidamente - acompanhado. Alias, decepcão dupla ao notar que o teor de beleza da dita cuja era praticamente nula se comparada à do rapaz), as luzes finalmente se apagaram e comecou o pseudo show do falecido Nasi.


Olha, o Nasi que me perdoe, mas ele conseguiu ser PIOR do que eu pensava. Eu ja nao simpatizava com a voz do pobre cidadao.. depois do pseudo-show de abertura, lá pelas 8 e meia, a moral do ex-vocalista do IRA desceu ralo abaixo. Confesso que tocar Raul fi uma tentativa inteligente, porem mal sucedida, de salvar o show. Po, nem Raulzito foi capaz de salvar a pele do rapaz. Mas ouvir MOSCA NA SOPA, METAMORFOSE AMBULANTE e SOCIEDADE ALTERNATIVA - sabendo que minutos depois os australianos do AC/DC adentrariam o palco -foi algo INDESCRITIVEL. Raul é um genio, indiscutivelmente, e continua mais vivo do que nunca *.*


Meia hora depois, as luzes se apagam novamente, e comeca a rola um filminho nos teloes. A adrenalina subia, os pelos arrepiavam, os gritos ja ecoavam pelo morumbi. Tods ali, reunidos por um mesmo motivo - independente da idade, da condicao social e do local de origem. Todo mundo ali - pagando no minimo 120 mangos, cabulando trabalho, aniversario de pai, filho, esposa ou sogra (o que nao é lá uma pessima ideia). TODOOOS ALI, em NOME DO ROCK.

Sensacional. O filme termina, as luzes explodem, eles entram. O que se sucedeu naquelas duas horas de som ensurdecedor, de gritos historicos (como o meu) e de rostos perplexos - pela animacao dos coroas, pelo solo de Angus, pelo show de luzes e efeitos no palco, pelo show de fogos ao fim do show - foi uma transe indescritivel. E acredite: eu nao usei nada ilicito. Apenas me servi de um belo sanduiche de presunto e queijo , umas pipocas doces e uma garrafa d`água.


Até porque, usar qualquer coisa na tentativa de intensificar os arrepios causados pelso toques na guitarra, no baixo e na bateria, era pura tolice.


Sem querer imitar os nerds uspianos atras de mim quanto a capacidade de filosofar sobre temas toscos como a localizacao do pantanal (!?), mas, ao ver Angus ali, suando, descabelado, falando com a guitarra numa lingua unica e intraduzivel, de fato pensei que cada um é para o que nasce. Por um momento a ideia de ser jornalista não me pareceu tao distante e inalcançável, e - ainda nao descobri qual o impacto do grito da guitarra naquele instante sobre mim - talvez essa minha intuição não esteja tao enganada. Talvez meu sexto-sentido (seja ele feminino ou nao) esteja apontando para um caminho certo. E talvez as luzes que iluminavam Angus (numa das performances que se revelará uma das mais alucinantes da minha vida roqueira) se voltem para mim e clareiem a trilha à minha frente, ajudando-me a responder para o que eu nasci.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

coragem

Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possí­vel, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.

[Guimarães Rosa]



Não sei por que, mas ao longo dessa semana lembrei MUITO dessa frase.
Como diz uma amiga minha, no fim dá certo. Pq Ele tá olhando, tá sempre cuidando, tendo tudo planejado - por mais que duvidemos e que achemos que Ele tem coisa MUITO mais importante a tratar. De fato, acho que Deus tem TANTAA coisa importante e urgente pra cuidar, que eu pedir alguma coisa é pedir demais. Mas Ele é O CARA, sempre acaba arrumando tempo pra cuidar de TUDO.

Parando pra pensar, o ano ACABOU. Lá estou eu em semana de vestibulares de novo - acho que, definitivamente, essas vésperas têm um pouco mais de emoção esse ano. Ainda que com medo e insegurança, sinto que a minha atitude em relação aos pequenos desafios com que me deparo diariamente é que fez/ fará a diferença esse ano. Estar calma (ainda que isso pareça impossível), consciente de tudo o que eu fiz, ver que não é um bicho de sete cabeças e perceber a força que eu tenho dentro de mim está sendo algo DIVINO.

No fundo, todos temos uma força. Um talento. Um medo. Uma expectativa. um arrependimento. Uma decepção. Um não: muitos. Essa força brota como um rio: sem nem saber de onde nem por que, ela vai surgindo, como um fiozinho d'água, que vai tomando corpo e de repente inunda a nossa vida, dando-nos um ímpeto avassalador, pra seguir caminho independente das curvas e das barreiras que surjam à nossa frente. E, quando a gente vê, já estamos lá na frente, sendo formados pelas cicatrizes das pedras que transpassaram nosso caminho.



"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

descobrindo um velho conhecido



leminski resumiu minhas ultimas semanas: apesar de calma, de saco meio cheio.
talvez abriu-se a possibilidade de uma grande descoberta ,uma possivel futura grande paixao literaria :)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

new profile

muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima


lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema


palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema

[Viviane Mosé, filósofa e poeta]

domingo, 11 de outubro de 2009

do afeto

.NOS AFETAMOS. ISSO É FATO.
transceder obstáculos, alcançar metas, conquistar derrotas. Elevar-se ao abismo, buscar o fundo e, a partir disso, renascer, remodelar, reconstruir. Transceder sua míesera condição humana. Ditar SUAS regras, a ssumir a SUA vida e vivê-la - ah, vivê-la... não importa o que isso custe - o que naão implica pisar sobre outros. Viver a QUALQUER PREÇO: VIVER. SOFRER, SENTIR, PARTIR, CHEGAR, DAR, RECEBER E DEVOLVER. BUSCAR, ACIMA DE TUDO. Duvide. Teorize. Mas nunca deixe de exercer uma das plenas e típicas capacidades do ser humano: acreditar. Iluda-se - a ilusão, e não a verdade, é uma das maiores necessidades humanas. Tantas vezes chorei ao ver o sorriso de uma criança. Outras tantas me sinto sangrar, multiamputada pela frieza das pessoas - sua indiferença, seu egoísmo, sua prepotência. Essas fraquezas, em maior ou menor grau,estão presentas em cada indivíduo - com seu histórico, suas ambições, suas fragilidades, seu medos. E quem disseque termer é ser fraco? Para temer, é preciso coragem - de rever seu eu, de enfrentar os outros, de propôr uma solução e de persegui-la, por mais difícil que isso tudo pareça. Porém, a constante clarividência dessas falhas - cotidianamente, diariamente, hora a hora, minuto a minuto - tirem-me o chão e enfraquecem-me a perspectiva de acreditar no homem e de lutar por um mundo melhor. Impressionem-se com a beleza - e não com a vulgaridade - com a simplicidade - e não com o luxo - com a persistência e com a obstinação de se levantar de novo e de novo e de novo - não com mera inteligência.

por que não conseguimos nos olhar nos olhos? por que nos isolamos do mundo e, principalmente, do sofrimento alheio, por meio de fonese celulares - ignorando o desespero do outro que está AQUI: do nosso lado, à nossa frente, clamando também loucamente por um MÍNIMO de humanidade. será que ainda sabems o que é isso?

Milagres andam meio fora de moda ultimamente. É, faz uns três séculos que a RAZÃO é a DEUSA imperativa da nossa sociedade. muito além de milagres religiosos e míticos, eu VEJO milagres, assim: diariamente. uma mãe que trabalha e chega em casa, cuida do lar, vê a lição dos filhos e ainda deixa tempo pra preparar o almoço do dia seguinte com o maior AMOR possível, não deixando nunca de dar aquele beijo de boa noite antes de ir se deitar - ela que só consegue se aconchegar entre o trevesseiros e seus pensamentos após a casa estar em silêncio, em paz.
é a sua ligação com a vida que faz a vida. milagre é o estudante que não busca só estudar para obter diploma ou obter êxito profissional - glória cada vez maior nos dias de hoje - mas que acredita no poder do CONHECIMENTO como agente tranbsformador do indivíduo, do meio e do mundo. milagre é ver uma pai de família de periferia educando seus filhos, dizendo-lhes que, por mais que a vida tente mostrar o contrário, a desonestidade e o crime nao compensam, sendo a educaçao, o trabalho e o amor pela família as verdadeiras alavancas caso você busque uma vida minimamente plena e feliz - ainda que esse seja o caminho mais difícil. milagre é não desistir, é reformulares conceitos, repensar idéias e rever concepção. milagre é pedir perdão, olhando nos olhos do outro, PEDINDO VERDADEIRAMENTE aquele perdão como se nada mais no mundo importasse naquele momento. milagre é não desistir, é parar de reclamar mediante as dificuldades que a vida traz a TODOS - mais a uns do que a outros, é verdade. sim, há trânsito, há o caos, há o egoísmo, a individualidade, a indelicadeza e o grotesco. há frieza mais nas gentes do que no asfalto... e daí? o que você faz contra isso? tenta reacender o foga da humanindade que anda se apagando dia-a-dia em seu interior, ou esfria-se, tornando mais duro e impenetrável do que pedra? DEUS É milagre. mentira ou não, essa idéia de um SUPERIOR nos faz repensar na nossa fraqueza de desitir, de se soltar nos piores vicíos e se endurecer, esquecendo que o outro - ainda que outro, que frio, que duro, que egoísta - sofre tanto quanto nós. afinal, ele é reprodutor e também produto, sendo diretamente afetado por essa lógica puramente racionalista e cada vez menos humanista que impera hoje.

resgatar a humanidade. expandir idéias, relutar por valores, cessar reclames, caras, almas, e corações fechados. eis o nosso maior desafio hoje.

é a sua ligação com a vida que FAZ a vida.

você nasce homem.
mas torna-se HUMANO.

sábado, 10 de outubro de 2009

de uma menina BEM crônica




pessoas grossas, mal educadas, frias, calculistas, sem amor nem simpatia, tampouco empatia. tediosas, enfadonhas, individualistas, egoístas, secas. sem noção, sem semancol, sem algo novo. trânsito, onibus LOTAD-O, filas pra subir, pra descer, pra sair, pra entrar. correria, massacre, falta de tempo, de amor, de identidade, de consideração. falta de simplicidade, de preocupação, de gentileza, de caridade. falta BRUTAL de sorrisos, de abraços, de beijos e de GESTOS.

domingo, 13 de setembro de 2009

Só porque é difícil conpreender o que é espontâneo e francsicano. Entender o dfícil não é vantagem, mas amar o que é FÁCIL é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que queria não ser obrigada a mentir. Senão o que me resta? A verdade é RESÍDUO final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo.


Escrever é tantas vezes lem,brar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem ao menos sei? Assim: como se me lembrasse com um esforço de "memória", como se eu nunca tivesse nasciso. Nunca nasci, nunca vivi mas eu me lembro e a lembrança é carne viva.


A Pesca Milagrosa
Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra está pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa de escreveu. Uma vesz que se pescou a entrelinha, podia-se com alívio jogar a palavra, Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-se. O que salva então é ler distraídamente.


Escrever, prolongar o tempo

Não posso escrever o quanto estou ansiosa ou espero soluções. Porque em tais períodos faço tudo para que as horas passem, e escrever pe prolongar o tempo, é dividi-lo em partículas em segundos, dando a cada um deles uma vida insubstituível.

Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

terça-feira:
- Então Dri, percebo que estou tendo dificuldades para achar a palavra certa, que se encaixe no contexto em que estou escrevendo.. O verbo, O substantivo.. olha o caso de "adequação". não era isso que eu queria colocar, mas não achei nada melhor e resolvi arriscar assim mesmo...

- Eis a maior dificuldade de escrever.
BEM-VINDA ao mundo da escrita.


[surpresa
e uma ponta pontiaguda de felicidade que me cutucou até o fim do dia.]

sábado, 5 de setembro de 2009

do tempo e inquietações.

é bom ver que momentos - escassos e por isso únicos - ficam tão guardados - e que guardado. naquela correria INSANA da robótica, às vezes nos dávamos ao luxo de escapulir e ir conversar, choramingar, desbafar, rir. ali: no banheiro. depois daquele dia- vc tão indefesa, tão frágil, tão pequena - e eu, toda incompleta, insuficiente, inexperiente tentando te fazer ver que passar por momentos como aquele é ruim, porém necessário muitas vezes. acho que é nessas cruzadas, nesses tecos que nos faltam que acabamos completando um ao outro. devo dizer que a esquina do banheiro nunca mais foi o mesmo após aquele dia.

força pra vc. nessa época de cursinho, quando entrar na faculdade, no trabalho, se for constituir familia.. creio que cada época da vida nos exige algo, nos ensina algo, nos deixa certas marcar. Essas marcas não são sempre boas, mas o tempo costuma ser um bom cicatrizante: quando não consegue curar a ferida, ao menos estanca o sangramento.

encare tudo o que a vida estiver lhe trazendo agora. ainda que vc tenha suas incertezas, inseguranças e medos, ENCARE. VÁ ATRÁS do que vc acredita, respeite-se e respeite também os outros. Nem sempre fazer isso concomitantemente é possível, mas buscar o equílíbrio é, na minha opinião, uma das missões mais difíceis que se tem na vida. Eu vivia de extremos. Hoje, não TANTO. Pode ser que amanha eu busque esse extremo novamente. mas, me propor novo meio de vida, me fez ser quem sou hoje. e, apesar dos pesares, estou bem por isso.



O grande clandestino
(Aníbal Machado)


Eu me distraio muito com a passagem do tempo.
Chego às vezes a dormir. O tempo então
[aproveita e passa escondido.
Mas com que velocidade!
Basta ver o estado das coisas depois que
[desperto: quase todas fora do lugar, ou
[desaparecidas; outras com uma prole
[imensa;
O que é preciso é nunca dormir, e ficar vigilante,
[para obrigá-lo ao menos a disfarçar a
[evidência de suas metamorfoses.
(...)
Contudo, não se deve ligar demasiada
[importância ao tempo. Ele corre de
[qualquer maneira.
É até possível que não exista.

Seu propósito evidente é envelhecer o mundo.
Mas a resposta do mundo é renascer sempre para
[o tempo.



- perder o sono 5 da manhã é, no fundo, bem produtivo.
e fica decretado que hoje é o dia nacional do queijo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

por isso é que continuará TOCANDO


Ouro de Tolo

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprarUm Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?
"Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...


Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...


- a morte e as letras de caras assim é que deveriam ser noticia de jornais durante longos três meses.

domingo, 23 de agosto de 2009

a definição de inesperado

Alê, a pseudo-futura-jornalista-em-constante- crise-me-ajudem-o-que-eu-presto?, telefona para o pai.

- alo, pai?
- oi..
- entao olha.. to fazendo minha inscrição pra UNICAMP agora- o prazo termina semana q vem. Eu vou prestar economia de 1a opção, mas eu vi que.. o curso de economia nao fica em Campinas mas sim em.. Limeira. (Alessandra surpresa por descobrir um detalhe BASICO desses no dia da inscrição. Já dizia a sábia Cris, professora de Geografia do Brasil: o primeiro passo para não fazer a escolha errada é tentar conhecer ao máximo o curso que vc pretende prestar).

...

[Alessandra pára, tentando adivinhar a reação do pai. O pai, provavelmente tomando uma cerveja, olha pra TV, contendo o sorriso patriarca-não-quero-minha-filha-universitária-rebelde-no-interior no rosto).

- melhor ainda.
-hã?
- é, melhor ainda. Limeira é uma cidade menor, mais calma do que Campinas.

..

- ah... merda.
- oi?
- ah.. cidade pequena..
- ah, então vc está querendo muvuca né?
- lógico! to indo pra faculdade pô! (risinhos)

-mas vc tá mto revolucionária não?
- é claro!


pai:
-tá bom. pode ir lá fazer.


(MINHA NOSSA.. ACHO QUE MAIS INESPERADO QUE ISSO SÓ SE O CORRETOR APARECER DE CALCINHA NA MINHA SALA, NO MEIO DA PROVA).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

por essas e outras


Aliados de Sarney trocam acusações com Pedro Simon
Renan Calheiros, Fernando Collor e Wellington Salgado se revezaram na defesa do presidente do Senado

'Liminar contra 'O Estado' é inconstitucional', diz ANJ
Nota da entidade condena decisão judicial que proíbe jornal de publicar reportagens sobre caso Sarney


"Não é um problema meu. Toda essa situação é problema apenas do Senado". (Lula)



Por essas e outras que eu tenha cada dia MAIS CERTEZA: o brasil NÃO É o país do futuro.

terça-feira, 28 de julho de 2009

de um vento gelado no SESC

Tá tudo tão difícil. A memória vem do latim sim, mas vai para onde? Quantas vezes por DIA é preciso MORRER para continuar vivo? Quantas memórias precisamos perder? Em quem tempo? [...]

Mas em algum lugar da memória, que é o nosso tempo, existe um certo ano-luz qsem nenhuma ciência que lhe dê conta. Uma Revolução - não da terra - marítima, com seu ritmo que nenhum piano alcança, incabível - e como dança! E lá talvez esteja tudoo que precisamos de preciso e impreciso: ligar o rádio, buscar a sintonia, o que vai ficando nos albuns do olhar, tatuagens que não se vê, lã de vidro na ampulheta sem tempo nem fim, que escorre nos tempos - tão nada...


tardes no SESC está entre uma das melhores coisas do mundo.
deixar alguém analfabeto é um dos piores crimes a ser cometido.

sábado, 25 de julho de 2009

sobre a efemeridade da alma

“O senhor… mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão.“

João Guimarães Rosa

domingo, 19 de julho de 2009

Russo e Cazuza

Quando Eu Estiver Cantando / Endless Love


"Essa eu acho que pouca gente conhece. É a última música, do último lado, do último disco, de Cazuza. E se chama 'quando eu estiver cantando'.

Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
E eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim
Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta, de besta, de besta
Quando eu estiver cantando
Não se aproxime

Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantado
Não cante comigo


"Agora, essa é só...pra todos nós, e o Cazuza amava esta música.."

My love
There's only you in my life
The only thing that's right
My first love

You're every breath that I take
You're every step I make
And I want to share
All my love with you
No one else will do

And your eyes
Tell me how much you care


Oh yes
You will always be
My endless love


Tem gente que recebe de Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
E eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim
Eu sou assim
Canto pra me mostrar
De besta
Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando


- Sempre cantem com a gente, obrigado.

sábado, 18 de julho de 2009

a uma barbuda revolucionária

Diálogo do desconhecido

- Posso dizer TUDO?
- Pode.
- Você compreenderia?
- Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e - por ser um campo virgem - está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.

Machado, sempre ele





domingo, 12 de julho de 2009

sobre o que é ser jornalista, por Weber e Cohen

Internet não substitui o repórter
Roger Cohen (colunista, analista político)

Logo após a 1ª Guerra Mundial, o sociólogo alemão Max Weber proferiu uma conferência em Munique sobre jornalismo. "Nem todos percebem que escrever um texto jornalístico realmente bom exige tanto do nosso intelecto quanto um trabalho acadêmico", disse ele aos estudantes. "Isso se aplica especialmente quando estamos reunindo material para um artigo que tem de ser escrito no momento e tem de ter repercussão imediata, mesmo sendo produzido em condições totalmente diferentes de quando realizamos uma pesquisa acadêmica. No geral, ignoramos que a verdadeira responsabilidade de um jornalista seja muito maior do que a de um acadêmico."

Sim, jornalismo é uma questão de gravidade.
A tendência hoje é a de destruir a reputação em vez de elogiar a mídia.

Em meio aos gritos de doutrinação partidária envolvendo a posse do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e os toques de sinos anunciando a morte da imprensa, uma verdade fundamental se perde: a de que ser jornalista é ser testemunha dos fatos. O resto é decoração.

Ser testemunha dos fatos significa estar presente. Nenhum buscador na internet consegue transmitir o odor de um crime, o tremor no ar, os olhos que ardem, os ecos de um grito.Nenhum buscador de notícias vai lhe falar sobre a cidade devastada suspirando ao anoitecer, nem dos gritos desafiadores ouvidos noite adentro. Nenhum milagre da tecnologia pode reproduzir essa sensação de boca seca que o medo causa. Nenhum algoritmo vai capturar a dignidade sem alarde, não vai provocar a carga de adrenalina que se funde com a coragem nem expor as marcas ainda frescas de uma chicotada.

[...]

Nós, jornalistas, devemos seguir adiante. É o que costumamos fazer, como voyeurs insaciáveis. Mas uma vez em mais ou menos uma década isso não acontece. É como se estivéssemos apaixonados. Mas o objeto do nosso amor se vinga, vira o jogo e não nos deixa ficar.
Fui um dos últimos jornalistas ocidentais a deixar Teerã. Ignorei a revogação do meu visto de jornalista e permaneci ali enquanto foi possível. Fiquei profundamente revoltado com a submissão ao grupo que cerca Ahmadinejad, que se apossou do poder quebrando o equilíbrio das instituições da revolução e cujo objetivo ficou claro: afastar qualquer testemunha ocular do crime.

[...]

Jamais Ahmadinejad falará novamente em justiça sem ser arruinado pelo efeito Neda - a imagem dos olhos sem expressão, a vida se extinguindo e o sangue escorrendo pelo rosto da jovem manifestante Neda Agha Soltan, baleada no peito em Teerã, no dia 20. O Irã oprime o povo com sua tragédia. Foi insuportável partir. Ainda é. As imagens multiplicam-se pela internet, mas a mídia tradicional, disciplinada para destilar esses fatos, se omitiu.O mundo ainda observa.

Nós, americanos, quando celebramos nosso Dia da Independência, no dia 4, deveríamos ter nos colocado do lado do Irã, recordando a primeira revolução democrática na Ásia, ocorrida em 1905, justamente no Irã.

[...]

De um lugar distante ainda ouço esses sons e sinto como se essa distância fosse uma traição não só a todas essas corajosas vozes que podem ser ouvidas noite adentro, mas também à "verdadeira responsabilidade" de um jornalista.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090712/not_imp401485,0.php


Meu Deus.
eu precisava tanto ler algo assim num dia como hoje.
Que as palavras de Weber nos acompanhem.
E QUE AS PESSOAS FINALMENTE SE CONVENÇAM DE QUE:

1) Michael Jackson morreu, e que não há mais NADA que se possa fazer a respeito.
2) o mundo NÃO SE RESUME A MICHAEL JACKSON! (SIM, VOCÊ CONSEGUIRÁ SOBREVIVER SEM ELE VIVO!).

3) EXISTEM PROBLEMAS MUITO MAIS GRAVES DO QUE A MORTE DE MICHAEL JACKSON. Sem desrespeito à morte dele - ele era sim o rei do pop e continuará sendo peça singular na história da músicas - mas.. PORRA. Pessoas morrem diariamente, com histórias tão ou MUITO mais trágicas que a de Jackson - de fome na África, pelas guerras do Oriente Médio, nos tiroteios da favela Paraisópolis e nas ruas cariocas - acontecem DIARIAMENTE, e nada muito gritante é feito além de míseras linhas no jornais, ou poucos segundos nos telejornais diários (e olha lá). África ainda é clichê, mas parece que a maioria não está muito preocupada em tirar a África, o Oriente Médio e a violência das metrópoles brasileiras do cerne de questões como a violência, a miséria e a pobreza.

4) Michael Jackson está tão em pauta não só por seu peso na história da música, mas porque suahistória e suas tragédias pessoais continuam dando lucro e sua morte foi mais um episódio do SHOW BUSINESS que constituiu toda a sua existencia.

então, se você é fã ou gostava de Jackson, DESLIGUE A PORRA DA TV e não veja programas que sustentam as especulações sobre as causas da morte dele, ou comentem as VELHAS polêmicas que permearam a existencia do caçula do Jackson Five. Assim, VOCE NÃO ESTARÁ CONTRIBUINDO PARA fazer também da morte dele mais um capítulo lucrativo para os tablóides e para a indústria musical - que fizeram de Jackson o rei do pop, o pior dos pedófilos, um cruel abusador de criancinhas e agora um herói, bondoso, tímido, cheio de esquisitices - que continuará sendo visto por toda essa indústria apenas como uma cifra milionária $$$$$$, e não como uma PESSOA, vítima do sucesso e pertencente a uma família desestruturada (a cujo pai não consegui ainda designar um adjetivo propício que resumisse a sua imundície).


Voltemos à realidade. Discutemos Irã , Honduras, Oriente Médio, Obama na África, violência no RJ e em SP - responsável de fazer vítimas DIA APÓS DIA - a lama do Senado, a destruição da Amazônia e todos tantos assuntos não impressos nos jornais.


E deixemos Jackson FINALMENTE descansar em paz, pela primeira vez que seja.

sábado, 11 de julho de 2009

sobre Honduras


NESTA HORA

Nesta hora limpa da verdade
é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo



Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade





Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida


O demagogo diz da verdade a metade E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe
A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados
Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão
Para construir o canto do terrestre
- Sob o ausente olhar silente de atenção
- Para construir a festa do terrestre

Na nudez de alegria que nos veste

["Sophia de Mello Breyner Andresen in O Obra Poética III"]



quebrar a Constituição é ilegal. Golpe militar também.

Por mais que se queira defender a Constituição, sendo filhos ressentidos da ditadura, não é de estranhar que ela ainda nos cause repulsa e nos faça temer o que virá.

Não tenho opinião totalmente formada ainda.
Temendo que outros Chávez apareçam América Latina afora.. e queiram se perpetuar no poder.
Tudo fica mais difícil quando se tem legitimidade - caso do nosso irmão bolivariano de Caracas.
Mas temendo não menos uma ditadura um tanto duradoura.

repressão não é a solução.
quebra consitucional muito menos.

- de qualquer modo, Honduras não pode ser pior que Cuba - que, graças ao nosso amigo Fidel, juntou o indesejado ao desagradável: ditadura, repressão e ilegitimidade assim, pacotão 3 em 1.

Sem blá blá blá socialismo = ditadura. Isso não foi proposto por Marx - o grande idealizador socialista.
Queria tanto ter visto Allende no poder.
Se ele iria quebrar esse dogma de "socialismo= ditadura" eu não sei.

mas uma coisa é fato: pena não haver "se" na história.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Hesse, sempre Hesse


"- Sempre achamos que são demasiadamente estreitos os limites de nossa personalidade! Atribuímos à nossa pessoa somente aquilo que distinguimos como individual e divergente. Mas cada um de nós é um ser total do mundo, e da mesma forma como o corpo integra toda a trajetória da evolução, remontando ao peixe e mesmo a antes, levamos em nossa alma tudo o quanto desde o princípio está vivendo na alma dos homens. Todos os deuses e todos os demônios que já existiram, quer entre os gregos, os chineses ou os cafres, todos estão conosco, todos estão presentes, como possibilidades, desejos ou caminhos. Se toda a humanida perecesse com exceção de uma só criança medianamente dotada, esse menino sobrevivente tornaria a encontrar o curso das coisas e poderia criar tudo de novo: deuses, demônios e paraísos, mandamentos e proibições, antigos e novos Testamentos.


- Pois bem - objetou-lhe Sinclair. -Mas que fim leva o valor do indivíduo? Para que aspiramos a algo se já temos tudo concluído em nós mesmos?


- Alto lá - exclamou Pistórius com força- Há muita diferença entre levarmos simplesmente o mundo em nós mesmos e conhecê-lo. Um louco pode expor idéias que lembram as de Platão e um colegial devoto pode criar em sua imaginação profundas conexões mitológicas que aparecem nas doutrinas dos gnóstico ou de Zoroastro. Mas sem sabê-lo! E enquanto não sabe, é uma árvore ou uma pedra, ou quando um animalzinho. Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas. Todos eles revelam possibilidades de chegar a ser homens, mas só quando vislumbram e aprendem a levá-las em parte à sua consciência é que se pode dizer que possuem uma..."


[trecho de DEMIAN, Herman Hesse]


esse cara é simplesmente sensacional.
um dos meus favoritos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=VKpcr0EtZZg&feature=player_embedded

cabeça de alfinete



férias, tão sonhadas férias...
às vezes acho que um dia nossa cabeça é como um alfinete: um nada perto do MUNDO de informação que nos rodeia.
e é preciso tomar cuidado. se não, um dia, o alfinete estoura.

domingo, 28 de junho de 2009

a arte indesejada


14 de abril de 1928,


De fato a miséria que aflige tantos compatriotas inquieta-me o espírito. Parece difícil encontrar em nosso país um caminho que permita a resolução do problema, ou uma simples amenização dele, que seja. Nota-se hoje uma podridão que corrói as instituições políticas do país, estando o povo sempre abaixo de todas as esferas do poder, sem chances reais de integrá-las mas sendo direta e constantemente afetado por elas.

As artes devem retratar o que emociona, o que comove. Porém isso não do belo o ÚNICO tema de quadros, livros, músicas. O feio, o grotesco, o que causa conforto e desperta ojeriza à maioria dos homens também deve ser discutido, pintado, escrito, ouvido. Por isso, sendo homem contemporâneo de minha época, sinto dever cumprir a função a que poucos se prestam e a que outros raros valorizam: a representação do indesejável, do ignorado, da pobreza que afeta a tantos e que preocupa tão poucos.

Nas últimas semanas, venho arquetitando um projeto a ser concretizado futurament, quando eu melhor tiver desenvolvido minhas técnicas e minha maturidade como pintos. Nesse projeto, essa miséria não será detalh,e sim a temática que regerá minhas obras. Quadros que exponham de maneira FRIA a aromaticidade contida na miséria que é tão banal em cenários como o nordeste brasileiro. É na caatinga que desenvolverei cenas típicas vividas por retirantes - homens que não possue moradia, alimento ou qualquer outra coisa além da própria além da própria vida. Penso em um quadro que exponha o clímax dessa tensão. O momento em que o retirante se depara com algo desconhecido, uma sombra única em meio à vermelhidão da seca: a morte.

Além do corpo ósseio, dos rostos cavados pelo privação e da fisionomia marcada pelo sofrimento, penso em realçar a dor causada pela morte aytravés do retrato de uma criança: será ela - pequena, frágil, morta - a maior vítima dessa organização que destrói vidas e extingue, dia após dia, a humanindade necessária para uma socieadde menos injusta.

Que a arte seja o meio por que eu mostre essa realidade de muitos para aqueles que a desconhecem. O que essa mesma arte permita-se tocar aqueles outros que cruelmente tentam ignorar essa vergonha.



Cândido.

sábado, 20 de junho de 2009

a uma querida

"Mas muitas vezes a minha chamada inteligência é tão pouca como se eu tivesse a mente cega. As pessoas que falam de minha inteligência estão na verdade confundindo inteligencia com o que chamarei agora de SENSIBILIDADE INTELIGENTE. Esta sim, várias vezes, tive ou tenho. [...] Suponho que esse tipo de sensibilidade, uma que não só se comove como por assim dizer pensa sem ser com a cabeça, suponho que seja um dom. E, como um dom, pode ser abafado pela falta de uso ou aperfeiçoar-se com o uso. Tenho uma amiga, por exemplo, que além de inteligente tem o dom da sensibilidade inteligente e, por profissão, usa constantemente esse dom. O resultado então é que ela tem o que eu chamo de coração inteligente em tão alto grau que a guia e guia os outros como um verdadeiro radar."

tirei de um livro da Clarice que dei pra minha mãe (sim, aquele livro quea minha amiga roubou da escola). lembrei de voce.e é exatamente assim que eu me sinto em relação a você. mesclar sensibilidade, personalidade e inteligencia. Está aí uma tarefa bem difícil. Grata por ter me guiado até mim mesma, aos meus gostos e minhas paixões (por livros, pela língua, pela escrita). Beijos querida, e não demore a transmitir sua chegada ao Brasil na próxima vez!

beijos de uma eterna aluna sua,
Alê.


[bem que Portugal poderia ser mais pertinho, aqui do lado, como da Marginal até a minha casa.]

quarta-feira, 17 de junho de 2009

do cheiro no ônibus

Resíduo

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 14 de junho de 2009

mão paralisada, memória rebobinada


You Are My Sunshine
(Johnny Cash)


the other night, dear, as i lay sleeping
I dreamed i held you in my arms
When i awoke, dear, i was mistaken
So i hung my head and cried

You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
Please don't take my sunshine away

I'll always love you and make you happy
If you will only say the same
But if you leave me to love another
You'll regret it all someday

You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
Please don't take my sunshine away

You told me once, dear, you really loved me
And no one else could come between.
But now you've left me and love another,
You have shattered all my dreams.

You are my sunshine, my only sunshine
You make me happy when skies are grey
You'll never know, dear, how much i love you
Please don't take my sunshine away

entre os muros da escola valeu meu fim de semana.
minha redação ficou um cocô de criança com diarréia.
eu tinha MUITA coisa pra escrever.

mas essa música é tão LINDA que tudo o que eu tinha em mente pareceu evaporar. paralisou a minha mão. rebobinou minha memória.

terça-feira, 9 de junho de 2009

leituras numa tarde de sol

Por oposição àqueles que se definem pela semelhança ou pela diferença com pessoa a atitudes específicas, quem se define pelo amor se aproxima da liberdade da indiferença ante as diferenças.

Eis que a força (vis) da memória reside no fato de poder remeter efetivamente o passado para o presente, desta forma ele NUNCA está perdido.


Em certo sentido, nossa existência depende do amor. Se não houver alguém que nos pareça semelhante do que há de AUSENTE em nós, as possibilidades desse ausente dificilmente se realizam, mantendo-se no âmbito do sonho ou do devaneio.

[eis uma boa explicação do por que os opostos se atraem]

domingo, 7 de junho de 2009

guardamos na memória...

...o que queremos esquecer.


E se é pra ser honesto, nada mais justo do que eu te falar isso: você tem um lugar muito seu dentro de mim.



mas tem um quê de culpa, de dúvida, de insegurança e , por que não, de medo.
ela ali, defronte ao computador, 1:46 de plena segunda-feira.
ela ali: com as mãos frias, os pés gelados, o coração apertado e pedinte. de açúcar, de afeto e, principalmente, de respostas. o seu medo de não ter opinião - não aquela formada pra tudo, mas a outra, estabelecida após reflexões e ponderações - era uma de suas maiores aflições.

a mulher sempre fora criada para ser reprimida, enjaulada, com tal pudor de dar inveja a celibatários. ela se perguntava se não se encaixava exatamente nesse perfil. por que não fazer ali, NAQUELE MOMENTO, o que desejava fazer? ação rápida, instantânea, impulsiva. aliviante. talvez esse quê - de saudade, de raiva, de culpa - se evaporasse, ou, quem sabe, se tornasse ainda maior.

a raiva tem unhas vermelhas. a saudade veste um pullôver cinza, típico de um dia gélido e cortante de outono. agora.. e a culpa? a insegurança? o medo? verde, amarelo, laranja? o arco-íris que cravejava essa erupção de sentimentos em seu peito parecia estar longe do fim.

e ela ficava ali: se remoendo, lembrando, cheirando, ouvindo, repetindo - gestos, palavras e, minha nossa, até gestos. falava sozinha - no chuveiro, no banheiro, no quarto.

"tome logo uma atitude", pensava. "mas.. e se algo vier depois?".
essa sua mania de contra argumentar tudo ainda iria acabar com ela.
e esse vício de ter uma ínfima esperança, de esperar o que pode vir, ainda vai enterrar qualquer uma de suas possibilidades.

sem esse bla bla bla pós-moderno: aja, sinta, dance, viva. tudo isso é importante sim, mas, combinemos, a vida não é só feita disso. Nos sentimos culpados por não estarmos 101% MEGA-ULTRA-RADIANTE-FELIZES o tempo todo. Pise no freio. RESPEITE-SE.

Aja de acordo com a sua vontade, com as suas erupções internas, com os seus valores. Dê-se mais tempo. permita-se. viver. morrer. errar. E COMPREENDER QUE TUDO ISSO FAZ SIM PARTE DO QUE CHAMAMOS DE VIDA. aprender com os erros é comuns. Aprender com as quedas reeptidas é mais árduo e, por que não, mais bonito.

não é possível estar 100% vivo - não o tempo todo.
tudo em excesso mata.

e, perdida em alguns pensamentos, vejo que o equilíbrio é o grande desafio que temos hoje. TEMOS QUE APRENDER A DIZER N-Ã-O.

Nossos avós enfrentaram guerras. nosso pais enterraram nossos heróis.. e nós?

a sensação de vazio que, não muito raro, toma conta de boa parte das pessoas hoje, é epidêmico.

pós pós-modernidade

Por isso para Gandhi havia mais do que sete pecados capitais, e que ele apontava como erros comuns aos homens e à sociedade: a política sem princípios, o comércio sem moralidade, a riqueza sem trabalho, a religião sem sacrifício, a ciência sem humanidade, o conhecimento sem carácter.


Feuerbach no “prefácio” à segunda edição da Essência do Cristianismo, permite-nos agora conduzir esta comunicação: «o nosso tempo sem dúvida, prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser… o que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado». A nossa sociedade como que elevou à categoria de religião, a melhoria das condições de vida materiais – viver melhor é uma prática institucionalizada, ritualizada, uma paixão colectiva, que é no dizer da ultima obra de Lipovetsky, A felicidade paradoxal, uma nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo. Assim, nasce um outro tipo de Homo consumericus, voraz e flexível, «liberto da antiga cultura de classe, imprevisível nos seus gostos e nas suas compras e sedento de experiências emocionais e de (mais) bem-estar, de marcas, de autenticidade, de imediatidade, de comunicação». O consumo funciona já não como subterfúgio, mas como um império sem tempos mortos cujos contornos estão ainda por definir. No entanto, esta é uma felicidade paradoxal pois nunca o indivíduo contemporâneo atingiu um tal grau de abandono com tamanha felicidade.

http://www.freewebs.com/pauloalexandreecastro/ensaioimaginaoentredeus.htm

sexta-feira, 5 de junho de 2009

realidade?




The Son of Man, 1926
É provavelmente dos quadros mais famosos de Magritte. Ele define-o desta forma: "Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos.

"My painting is visible images which conceal nothing; they evoke mystery and, indeed, when one sees one of my pictures, one asks oneself this simple question 'What does that mean'? It does not mean anything, because mystery means nothing either, it is unknowable."



Eu escutava, compreendia, aprovava, achava tais palavras tranquilizadoras e não estava errado, já que se destinavam a tranquilizar: nada é irremediável e, no fundo, nada se mexe, as vãs agitações da superfície não devem ocultar-nos a calma mortuária que é o nosso quinhão.As nossas visitas despediam-se, eu ficava só, evadia-me deste cemitério banal, ia juntar-me à vida, à loucura nos livros. Bastava-me abrir um deles para redescobrir esse pensamento inumano, inquieto, cujas pompas e trevas ultrapassavam o meu entendimento, que saltava de uma ideia a outra tão depressa que eu largava a presa cem vezes por página, deixando-a escapulir, aturdido, perdido. [Sartre]

domingo, 31 de maio de 2009

as três experiências

11 de Maio

E nasci para escrever. A palçavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive DESDE INFÂNCIA várias vocações que me chavama ardendemente. Uma das vocações ERA ESCREVER. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações euprecisaria de um longo aprendizado, enquanto que PARA ESCREVER O APRENDIZADO É A PRÓpRIA VIDA. se fazendo erm nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é MESMO ESCREVER. Adestrei-me desdeos sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.



- Ai querida.. tava com tanta saudade de você. Passei quase um m~es sem vir pra cá ver a minha princesinha..

- Eu também tava com saudades, vó. Você esqueceu da gente, né?

- Não não. Às vezes me dá UMA saudade de vocês. Bom, eu vou lá fazer o bolo. Não toma friagem nem chuva essa semana e não esquece de tomar o xarope. Semana que vem eu volto aqui. Até essas obras aqui terminarem.

- Por que? Depois que as obras terminarem a senhora não volta mais?
- Claro que volto.


e ela sorriu, exalando o quarto com afeto, perfumando a casa com temperos e amor.


Clarice é uma inspiração infinita.
por mais que o dia esteja difícil, meus momentos de Descoberta do Mundo fazem meus dias mais leves e amenos.

nunca li algo tão belo, tão profundo.. tão indizível sobre o escrever.
não muito raro sinto que também nasci para isso (esceto em aulas de redação, ou em crises de TPM). Desde então me pergunto: quais outras duas coisas que regem a essência da minha vida e guiam o objetivo de minha existência?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

de tudo o que eu não quero

eu não quero.
correr. mão olhar. não sentir. mal falar. só trabalhar. desempregar. parar.

sinto que, cada dia mais, me torno uma daquelas pessoas - tristes, vazias, ocas, doentes fisico, psico e espiritualmente - que vejo em filmes e reportagens, consumidas pela voracidade do cotidiano moderno. ver pessoas miseráveis na rua pedindo esmolas, algo muito comum em metrópoles como São Paulo, é algo que me incomoda. Mas acho que já me incomodou mais.

lembro que sempre fiquei chocada e tudo. aliás, a nossaprimeira vez - em relaçãoa tudo - é algo chocante. QUEBRAR LIMITES, IDÉIAS, DOGMAS TIDOS COMO ABSOLUTOS ATÉ ENTÃO É ASSIM MESMO: CHOCANTE.

Consumida pela correria, pelo cotidiano, pela monotonia. Pelo pseudo-stress de vestibulanda, cabeça lotada de informações, coração vazioa e sedento de emoções. é nessa situação em que me encontro.

ou, muitas vezes, tmada por emoções fortes demais. dias mais ou menos sensíveis - isso é normal, todos temos dias assim. Mas hoje, DE FATO, foi um DESSES dias. deme perguntar: POR QUE é tudo assim? ou está? creio que a primeira pergunta ainda é mais.. correta. peo menos de acordo com a história de um dos animais que mais mecheu com o planeta e tudo o que ele se relaciona: O HOMEM.

Na sociedade atual, omPODER da INVISIBILIDADE - na maioria das vezes e consentida, combinada por entre os canos podres que corroem a alma da cidade. Aa pessoas passam EXATAMENTE assim, a todo instante: com pressa, corridas, vendadas. para o outro, para si e para o mundo.

fácil entrar no carro, no ônibus ou no metrô, e deletar o maltrapilho q pedia dinheiro. da mãe que carregava o filho esqueletico. da criança q jogava malabares na rua. do mau cheiro de quem e do que é esquecido: da banalização da vida e da degradação do ser humano.

fácil pois, assim que descemos do carro, entramos em casa. quente, confortável, por mais MiNUSCULA que seja. nada se compara à frieza e à imensidão das ruas. o nada, o vazio, o cinza que apodrece qualquer manifestação de vida.

não dar esmolas, não ajudar no tráfico, não estimular outros a seguirem vidas semelhantes. mas não ajudar, e ver cenas assim todo dia, e se lembrar de que isso é SIM vivido por MUITAS pessoas - sem ter sido por elas escolhido. lembrar mesmo que furtivamente, ao atravessar uma rua ou passar em frente à padaria da esquina.

como lidar com tudo isso. esses por quês, esse "como", e principalmente: com o amanhã.


sem discurso panfletário.
mas fechar os olhos a tudo isso é tudo o que eu mais não quero.

terça-feira, 26 de maio de 2009

a chaga da prolixidade

disse meu professor que esse é um mal que aflige a minha classe como um todo. pobres jornalistas: a prolixidade está para nós como a corrupção está para as tão falidas intituições que um dia já fizeram capítulos nos livros de história - e que hoje não merecem algo além de uma página de jornal.

há quem diga que o brasileiro tem auto-estima. há quem diga que nao. CACETE, que exu-tranca texto do cacete. tema dificil não? sem uma opinião assim, minimamente estruturada (será isto ou mal?), o fato é: meu ceticismo me faz rebater as idéias a um primeiro mílésimo de segundo. creio não ser daquelas estúpidas que insistem em rebater mesmo quando seus argumentos perdem todo o sentido mediante a apresentação de outros. mas acho que me encaixo no perfil tipicamente jornalístico (sem estigmas, sem padronizações ou generalizações): quero TER OPINIÃO. Quero defendê-la. Quero ser AUTÊNTICA, e estar vivendo de acordo com as minhas próprias convicções - ainda que isso não seja de todo possível. Sim, não é totalmente possível já que, a todo instante, somos influenciados e influenciadores, num fluxo incessantes de opiniões, valores e (por que não) achismos. É, porque eu LOGO estranho alguém que afirma saber MUITO sobre determinado assunto. Por não gostar de alter-egos, por achar que tudo fica mais simples e bonito quando retocado com pinceladas de humildade. IMPOSSIVEL alguém saber de TUDO - ainda que esse tudo seja um único topico. O mundo é por demais complexo e os por quês ainda mais - complexos, incessantes e infinitos. De fato, pra mim a pergunta mais importante é: POR QUE?

largando um pouco os meus apostos, as vírgulas que escorrem pela minha mente, chegando até a caneta, creio que não sabemos. Ou, aqueles que pensamos saber, sabem que, NO FUNDO, não sabem mais que uma partícula quase insignificante do mundo INFINITO que é o conhecimento. E isso é o que mais me fascina: essa conscientização de nossas limitações, mais que nos fragilizarou amendrotar, nos é necessário para sobreviver. dizia nietzsche que a dor e o medo nos são necessarios, nos fa sobreviver. bom.. além de prolixa, sou um BLEFE, como diz a minha gemea.

se essa conscientização de nossas incapacidades e limites nos é tão fundamental quanto a própria coragem, por que nos é TÃO dificil aceitá-los? Se todos somos humanos, se todos temos incompetências, defeitos, lacunas em nosso eu - profissional, pessoal, coletivo e individual - POR QUE esse processo é TÂO doloroso? É muita leviandade pensar que não há melhor que nós. mas, quando nos deparamos com essa realidade assim, cara a cara, dói. ah se dói. é aquele típiuca verdade "universal" (se é que ela existe), mas que preferimos não encarar assim, tão de perto, tão ...real. Isso nos machuca, nos fragiliza, nos fragmenta, nos DILACERA enquanto humanos. é fato, um acontecimento um tanto inexorável - tal qual a morte. Nos depararmos com quem é melhor que nós, sob diversos aspectos, é tão corriqueiro quanto um bom dia, algumas vezes. alguém mais desenvolto, mais simatico, mais receptivo, mais inteligente, mais sentimental, mais frágil. mais chato, mais mau-humorado, mais sério, mais cético. mais frágil, mais inseguro, mais confiante, mais desconfiado. mais amante, mais amado. enfim: mais humano.

queria agora me deparar com o ser mais HUMANO - sim, com todas as nossas inquietações e possibilidades, com seus conflitos e suas resoluções. queria perguntar-lhe: como você faz para conviver com esse "eu" - o mais humano do qual se teve notícia? pode ser que não seja TÃO fácil, ou tão amistoso assim.mas isso, ainda seria, permaneceria um mistério desafiador para mim. mesmo achando beleza nesse desentendimento que me completaria, creio que, se eu fosse esse tal humano, não pararia de me questionar, de buscar, de resolver, de duvidar. a todo instante, a cada momento, a todo afago. mas, parando pra pensar, acho que é bom que eu seja assim, menos humana, mais insossa. ISSO é o que me faz sobreviver.


(e, como sempre, eu me desvio e acabo dizendo algo completamente inesperado do que o meu script interior havia planejado. no fundo é isso: não poetizo, nao escrevo coisas belas. sou prolixa, cética, ultimamente dilacerada por regras, limitações, IMpossibilidades. sou assim: às vezes, tento melhorar, me adequar às diversas situações com que me deparo a cada pensamento. em outras, busco radicalizar para não perder o que há de mais genuíno em mim. talvez eu não seja jornalista. nem poeta, tampouco fazedora de arte. mas há quem diga que todos têm o seu lugar no mundo. tomara que essas "chagas", tão enraizadas no mais profundo EU, tenham também o seu.)

"Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente."
[Fiodor Dostoievski]

sábado, 23 de maio de 2009

pa pa pa pa pa pa paaaaaa...

INDIFERENÇA

Perdi a hora, lamento / Se tudo pode ser
melhor / Ainda dá tempo
/ No tempo certo
vou chegar / Sem pressa, sem despertador
A vida é nova / Novo é o lugar / Que a boa
hora traz / Nesse incompleto vem e vai

Se o começo é o fim / Não faz mais
diferença / Se tudo está por um triz
Não faz mais diferença / Se isso
é bom ou ruim / Não faz mais
diferença / Nem sempre alegre e
feliz / Mas faz, faz diferença

Não vá. Me dê mais um tempo
Deixei pro fim o que é melhor
Se for, eu entendo / Só vim aqui para
agradecer / O que a gente dividiu

A vida é boa / Bom é o lugar
Que a nova hora traz
Nesse incompleto vem e vai

Do que é ruim eu me esqueço / O bom
eu quero mais / Na tristeza eu quero
avesso / Agora quero paz / Saiba que todo
fim / É um recomeço / Pra nossa vida
quero amor / O resto eu desconheço

sexta-feira, 22 de maio de 2009

das humanas

Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes das canções do LP Arca de Noé com Toquinho, Vinícius, já cansado, disse que iria tomar um banho. Toquinho foi dormir. Pela manhã foi acordado pela empregada que encontrara Vinícius na banheira com dificuldades para respirar. Toquinho correu para o banheiro, seguido de Gilda. Não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moares morria na manhã de 9 de julho. No enterro, abraçada a Elis Regina, Gilda lembrava da noite anterior, quando em uma entrevista, perguntaram ao poeta: “Você está com medo da morte?”. E Vinícius, placidamente, respondeu: “Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida”.


Adeus [Móveis]

Quando eu vivo esse encontro,
Eu digo adeus / Refaço os meus planos
Pra rimar com os seus
Abandono o que é pronto
E digo adeus
Eu trago os meus sonhos / Pra somar aos seus

E toda vez que vier
Felicidade vai trazer
A cada vez que quiser,

Basta a gente querer
Ser desta vez a melhor

E toda vez que vier
Felicidade a mais
A cada vez que quiser
Basta a gente dizer
Só uma vez
Uma só voz


humanas humanas HUMANAAAS \o/
mais cedo ou mais tarde essa minha visao vestibulanda tripolarizada do mundo vai cessar.

hoje foi um sinal: DIREITO NÃO.

que eu me vista com a armadura de Hamlet. e parta para o MUNDO.

e do nada virá a solução.
tomara que o meu nada não me custe a chegar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

manchetes de causar ânsia.

Mumbai desaloja estrela do Oscar

Funcionários da prefeitura de Mumbai demoliram ontem a casa do menino que interpretou o papel principal de Quem quer ser Milionário?, ganhador do Oscar de melhor filme.

Declarada ilegal pela municipalidade de Mumbai, a residência de Azharuddin Mohammed Ismail foi destruída por tratores juntamente com outras 30 construções de um bairro pobre da cidade.O astro mirim de 10 anos, que interpretou o personagem Jamal Malik, estava dormindo quando autoridades ordenaram que sua família deixasse a casa. Em seguida, buldôzeres arrasaram as construções."Um policial sacou um bastão de bambu para me bater e fiquei com muito medo", relatou Azharuddin.

A prefeitura anunciou que as famílias cujas casas foram demolidas serão realocadas.Os oito Oscars e os US$ 326 milhões de bilheteria faturados por Quem quer ser Milionário? mudaram pouco a vida dos atores do filme, escolhidos pelo equipe cinematográfica numa comunidade pobre de Mumbai. Os astros ganharam presentes e espaço na mídia por algum tempo, mas seu dia a dia continua praticamente inalterado nas favelas do maior centro econômico da Índia.



Câmara aprova criação de 924 cargos com gastos de R$129,3 mi
Serão criados 243 cargos de juiz e outros 97 cargos sem concurso público também nos tribunais

BRASÍLIA - Em uma votação relâmpago que durou menos de 50 minutos, o plenário da Câmara aprovou 11 projetos de lei que criam 584 cargos em Tribunais Regionais do Trabalho, 243 cargos de juiz e outros 97 cargos para serem preenchidos sem concurso público também nos tribunais. Além disso, foram criadas 521 funções de gratificação, que significam reforço salarial concedido a funcionários do quadro efetivo. O Conselho Nacional do Ministério Público também foi beneficiado com a criação de 39 cargos e funções comissionadas desse total.


A aprovação foi por meio simbólico em um plenário quase vazio, sem o registro dos votos no painel eletrônico. Os cargos e funções vão aumentar as despesas em, pelo menos, R$ 129,307 milhões por ano, segundo cálculo elaborado pelo deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que criticou a aprovação dos projetos. Ele fez o levantamento dos custos com base no valor previsto quando os projetos foram apresentados. "Esse total já deve ser maior por causa da correção", afirmou. Os projetos foram apresentados entre 2001 e 2007.



Cai o 1º membro do governo britânico por escândalo de verbas
Subsecretário de Justiça é afastado por mau uso de verba pública para pagamento de moradia em Londres

LONDRES - O escândalo dos políticos britânicos que utilizaram fundos públicos para pagar contas pessoais fez nesta sexta-feira, 15, sua primeira vítima do governo com a demissão do secretário de Estado de Justiça, Shahid Malik, o primeiro muçulmano a integrar um governo britânico. Malik anunciou sua renúncia por conta da investigação sobre as despesas de parlamentares desde 2004.


* MORDOMIAS

Reino Unido: Salário anual dos parlamentares é de US$ 92.795. O auxílio adicional, por ano, é de US$ 200 mil

Brasil: Deputados federais recebem, por ano, cerca de US$ 95 mil. Para gastos adicionais, a verba é de US$ 480 mil, além do dinheiro extra para passagens.

França: O salário básico, por ano, dos integrantes da Assembleia Nacional é de US$ 114 mil. Os benefícios são de US$ 95 mil


- ler jornal todo dia, logo cedo, faz mal à saúde.

E-NO-JA-DA.


Hollywood, muitas vezes, é DE FUDER.
eu detesto o Michael Temer (PMDB - SP).

e a política brasileira desanda.

pelo que me consta, jornais deviam trazer novidades.

terça-feira, 12 de maio de 2009

uma foca inquieta


1,3 milhão de civis deixou área de combate, diz Paquistão


ISLAMABAD - O Exército paquistanês afirmou nesta terça-feira, 12, estimar que cerca de 1,3 milhão de pessoas fugiram das zonas de combate no nordeste do país desde agosto do ano passado, segundo relatou o brigadeiro Aamer Raza Qureshi. A ONU afirmou em comunicado que registrou 501,496 mil deslocados desde o endurecimento da ofensiva, no início de maio. Os militares pediram para que a população saia dos distritos do norte do país onde estão combatendo a insurgência taleban


Apesar dos "sucessos consideráveis" obtidos até agora pelo Exército, seu porta-voz, Athar Abbas, disse que "só se conseguirá realmente acabar com os militantes quando a maioria dos cidadãos tiver saído da zona de conflito". Em entrevista coletiva em Islamabad, televisionada ao vivo pelos canais paquistaneses, Abbas disse que as tropas "só" estão bombardeando "os esconderijos, campos de treinamento e centros de munição e logística" dos fundamentalistas quando há "informação de inteligência".



O porta-voz militar negou que o Exército tenha causado vítimas civis, reiterou que as tropas estão agindo com cautela e evitando o confronto em grandes núcleos urbanos, e prometeu divulgar em breve à imprensa imagens e vídeos de cadáveres de insurgentes.

A ausência de jornalistas e organismos independentes nas áreas de conflito torna impossível contrastar os números oferecidos regularmente pelo comando militar.

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,1-3-milhao-de-civis-deixou-area-de-combate--diz-paquistao,369568,0.htm


"A TV é fundamental para a consolidação e manutenção da democracia em um país."

essa tal profissão me encanta.
e um dia esse meu extremismo, dualismo medieval, ainda me largará DE VEZ.

Upon us all a little rain must fall.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

tempo de crer, tempo de duvidar

Queimadura em afegã revela horror da guerra química

BAGRAM, AFEGANISTÃO - A vida que Razia, de 8 anos, conhecia acabou numa manhã de março, quando um míssil caiu em sua casa, envolvendo sua cabeça e pescoço em chamas químicas. O pai dela diz que o disparo foi feito por tropas ocidentais.

Agora Razia passa seus dias em um hospital na base militar norte-americana de Bagram, ao norte de Cabul. Suas unhas ainda conservam restos de esmalte vermelho, mas seu rosto é um amontoado quase irreconhecível de tecido queimado, e metade do seu couro cabeludo virou uma cicatriz.

"As crianças me avisavam que eu estava queimando, mas a explosão foi tão forte que por um momento fiquei surdo", contou à Reuters o pai dela, Aziz Rahman. "E aí minha esposa gritou: 'As crianças estão queimando', e ela também estava queimando." As chamas que consumiram sua família foram alimentadas por um produto químico chamado fósforo branco, que os médicos norte-americanos em Bagram disseram ter sido encontrado no rosto e no pescoço de Razia.

O fósforo branco gera um violento incêndio quando entra em contato com o ar, e pode grudar ou até penetrar na pele enquanto queima. Essa substância não é proibida pelas convenções contra armas químicas, porque pode ser usada legalmente em guerras para gerar luz, criar cortinas de fumaça ou incendiar edifícios.

O coronel Gregory Julian, porta-voz das forças ocidentais no Afeganistão, confirmou que os EUA e a Otan usam essa substância no país "em certas aplicações (...), como incendiário para destruir bunkers e equipamento inimigo (e) para iluminação."

Mas os manuais de treinamento dos EUA dizem que atirar fósforo branco contra pessoas é ilegal. Seu uso em áreas habitadas tem gerado polêmica.

Razia e sua família são as primeiras vítimas civis conhecidas do seu uso no Afeganistão. Rahman perdeu dois filhos no ataque. A menina, que teve queimaduras em 40 por cento do corpo, não quis ser fotografada.


http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,queimadura-em-afega-revela-horror-da-guerra-quimica,367798,0.htm


Saber Dicernir os Momentos

Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para CADA COISA. Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta. Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempos para bailar. Tempo para atirar e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar. Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora. Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar. Tempo para amar e tempo para odiar.

Tempo para a guerra.
Tempo de paz (?).

[Eclesiastes - capítulo 3]

QUEM OLHA POR TUDO ISSO?
Nessas horas eu TENHO que crer que SÓ isso aqui é muito pouco.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

do meu próprio eu.

Todas as grandes coisas perecem por obra de si mesmas, por um ato de auto-supressão; assim que a lei da vida, a lei da necessária ‘auto-superação’ que há na essência da vida – é sempre o legislador mesmo que por fim ouve o chamado: patere legem, quam ipse tulisti [sofre a lei que tu mesmo propuseste]. (NIETZSCHE. 2005. p. 148. Afor 27).

sábado, 2 de maio de 2009

algo que ninguém nos conta

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada dois em um: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado POR VOCÊ MESMO, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

[John Lennon]


MINHA NOSSA *_*
tudo o que eu escrever agora será tão poucoi, tão tosco perto de tudo isso.
Quando não se tem a acrescentar, o silêncio deve bastar. (alô Ana Lú!)

dia bom demais da conta =)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

há uma década e meia sem herói






"Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver de ultrapassar vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima do dos outros."


"No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz."


"Uma maneira de preservar sua própria imagem é não deixar que o mundo invada sua casa. Foi um modo que encontrei de preservar ao máximo meus valores."

[Ayton Senna]




Há exatos 15 anos morria. Nao só o MAIOR piloto brasileiro de todos os tempos, mas o ÚLTIMO HERÓI nacional que nós tivemos. Não injustiçando Gustavo Kuerten - que é outro cara DO CARALHO também - mas convenhamos que o nome "Senna" tem algo especial, um brilho que é ÚNICO e inconfundível.

Até hoje não se sabe o por quê da morte de um dos cara mais impressionantes da história da Fórmula-1. 1,9 segundos foram suficientes para fazer da corrida de Ímola, em 1994, um das mais tristes até então.

Hoje vi em jornais relances, flashes brevissimos (mais que o esperado) de cenas, dos títulos e dos feitos de Senna. Pude ver nos apresentadores a face do "inacreditável", do lembrar amargurado de uma figura indiscutivelmente incrível. Acho que até mais importante que ressaltar os feitos e qualidades de Senna, deve-se entender o que ele representou para o Brasil e para todos nós a quem ele não cansava de clamar e agradecer: os brasileiros.

Fim de 1980, início da década de 1990. Fim da ditadura militar. Neoliberalismo. Abertura à avalanche de multinacionais ávidas por lucros intermináveis. A crise econômica que se instalou na vastidão verde-amarela derrubou empresas, empregos, famílias. Aquele sentimento de "nada vai dar certo, o Brasil não vai pra frente" era iminente e, por que não, inevitável.

Essa sensação de impotência e derrotismo era a moldura de uma retrato mal acabado do que seria "o país do futuro". Nesse mesmo contexto surgia uma figura simples, desconhecida até então que, como ele mesmo dizia, faria os jornalistas esgotarem os adjetivos do dicónário. E não é que o danado estava certo?


Ayrton Senna da Silva, nascido em 21 de Março de 1960, era filho de um abastado empresário paulista, filho de Niede, irmão de Viviane e Leonardo. Aos quatro anos ganhou, de seu pai, seu primeiro kart. Aos 10, o primeiro kart profisisonal. A condição para poderpilotar era bons resultados na escola. Esse kart era o objeto de barganha de notas boas pelospais de Senna.

Aos 20 anos, contra a vontade de seus pais, trancou a faculdade de administração que fazia em São Paulo, e se dedicou ao automobilismo. (mais um que prova que GRANDES SONHOS exigem GRANDES desafios e uma determinação INCRÍVEL). Na sua primeira corrida ficou em quinto lugar, na segunda em terceiro e a primeira vitória no Van Diemen RF8I surgiu, em Brands Hatch, numa prova a contar para o campeonato Townsend Tboresen.Senna dominou completamente a competitiva Fórmula Ford inglesa, conquistando, para o construtor de Norfolk, os campeonatos, RAC e Townsend Thoresen.Em 1982, as vitórias sucederam-se, sagrando-se, com a Rushen Green Racing, campeão britânico e Europeu de Fórmula Ford 2000. Desanimado com a falta de um apoio financeiro mais efetivo, Senna voltou para o Brasil, mas, o apoio do Banerj o fez voltar, de imediato, ao Reino Unido. (alô, confiança!).

Ganha seu primeiro título em 1988. No ano seguinte, as vitórias de Senna em Spa-Francorchamps e Jerez, e de Prost em Monza, levam a um confronto decisivo em Suzuka. Incrivelmente, os dois McLaren-Honda se chocam, quando, a sete voltas do fim, Prost fecha Senna.Este consegue voltar à pista e vai para o box substituir o seu aerofólio dianteiro. Regressa então à pista ultrapassando agressivamente o novo líder Alessandro Nannini, mas a vitória lhe é retirada pelos Comissários Desportivos, não só por ter sido empurrado pelos fiscais de pista, conseguindo assim pôr o carro em marcha, mas também por ter cortado a chicane após o incidente.

Nesta altura, Senna acusou abertamente Prost de deliberadamente o pôr fora da corrida e a inimizade entre os dois atingiu o seu auge. Sem ânimo para correr, chega a Adelaide para disputar a última prova da temporada. No entanto, após 13 voltas, sofre um violento acidente.Senna deixou a Austrália tão desapontado e desiludido com uma temporada que foi uma constante guerra de nervos, que ele pensou em abandonar a carreira.Após o incidente de Suzuka, a hostilidade entre os dois era total. 'Eu estava na torre por cima da pista, quando descobri que tinha sido desclassificado. Prost veio ter comigo e pôs a mão no meu ombro dizendo que gostaria que o campeonato não tivesse acabado daquela forma. Senti que o queria comer vivo. Gritei para que desaparecesse, que saísse da minha frente. Após seis meses sem nos falarmos, ele vem-me com esta hipocrisia'.

Em 1990, diferentemente do ano anterior, Senna c sagra-se bicampeão mundial. O tricampeonato veio em 1991. Senna demorou muito a decidir o que fazer em 1993 e chegou ao final do ano sem ser contratado por nenhuma equipe. Ele sentiu que os carros da McLaren não seriam competitivos, especialmente depois que a Honda resolveu se retirar da F1 no final de 1992, e não poderia ir para a Williams enquanto Prost estivesse por lá, pois o contrato dele proibia a equipe de ter Senna como seu parceiro. Senna foi persuadido a voltar para a McLaren, mas o brasileiro concordou somente em assinar para a primeira corrida da temporada, na África do Sul, onde ele iria verificar se os carros da McLaren eram competitivos o bastante para lhe proporcionar uma boa temporada. Senna já havia tentado entrar para a Williams em 1993, mas foi impedido por Prost, que vetou seu nome. Senna se ofereceu para pilotar por nada, pois seu desejo era fazer parte da vencedora equipe Williams-Renault, mas foi impedido por uma cláusula no contrato do francês que impedia o brasileiro de entrar para a equipe. Porém, essa cláusula não se estenderia até 1994, o que fez Prost se retirar das corridas um ano antes de vencer seu contrato, preferindo isso a ter seu principal rival como companheiro de equipe.

Em 1994, Senna finalmente assinou com a equipe Williams-Renault. Senna agora estava na equipe que havia ganho os dois campeonatos anteriores com um veículo muito superior aos demais. A pré-temporada de testes mostrou que o carro era rápido mas difícil de dirigir.

Na terceira corrida da temporada, Senna mais uma vez conquistou a pole, mas o fim de semana não seria tão fácil. Ele estava particularmente preocupado com dois eventos. Um deles, na sexta-feira, durante a sessão de qualificação da tarde, um novato protegido de Senna e também brasileiro, Rubens Barrichello, envolveu-se num grave acidente em que perdeu o controle de sua Jordan , passou por cima de uma zebra e voou da pista, chocando-se violentamente contra uma barreira de pneus. Felizmente, Barrichello saiu desse acidente com pequenas escoriações e o nariz quebrado, ferimento suficiente para impedí-lo de correr no domingo. Senna visitou seu amigo no hospital - ele pulou o muro depois que foi impedido de visitá-lo pelos médicos - e ficou convencido de que as normas de segurança deveriam ser revisadas.

Mudanças feitas no autódromo Enzo e Dino Ferrari depois dos acidentes de 1994
O segundo ocorreu no sábado, durante os treinos livres quando o austríaco Roland Ratzemberger bateu violentamente na curva Villeneuve num acidente que começou a se formar na fatídica curva Tamburello, quando a asa dianteira de seu carro se soltou fazendo-o perder o controle do veículo. Levado ao Hospital Maggiore de Bolonha, ele faleceu minutos depois.

Na sétima volta a corrida foi reiniciada, e Senna rapidamente fez a terceira melhor volta da corrida, seguido por Schumacher. Senna iniciara o que seria a sua última volta; ele entrou na curva Tamburello e perdeu o controle do carro, seguindo reto e chocando-se violentamente contra o muro de concreto. A telemetria mostrou que Senna, ao notar o descontrole do carro, ainda conseguiu, nessa fração de segundo, reduzir a velocidade de cerca de 300 km/h para cerca de 200 km/h . Os oficiais de pista chegaram à cena do acidente e, ao perceber a gravidade, só puderam esperar a equipe médica. Por um momento a cabeça de Senna se mexeu levemente, e o mundo, que assistia pela TV, imaginou que ele estivesse bem, mas esse movimento havia sido causado por um profundo dano cerebral. Senna foi removido de seu carro pelo Professor Sidney Watkins, neurocirurgião de renome mundial e chefe da equipe médica da corrida, e recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado de seu carro destruído, antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha onde, poucas horas depois, foi declarado morto.

Mais tarde o Professor Watkins declarou:
“Ele estava sereno. Eu levantei suas pálpebras e estava claro, por suas pupilas, que ele teve um ferimento maciço no cérebro. Nós o tiramos do cockpit e o pusemos no chão. Embora eu seja totalmente agnóstico, eu senti sua alma partir nesse momento."

Foi encontrado no carro de Ayrton Senna uma bandeira austríaca que, em caso de uma possível vitória, Ayrton Senna a empunharia em homenagem ao austríaco Roland Ratzenberger, morto um dia antes.

Na verdade, não planejava pôr tecos da história dele nesse texto. Mesmo estando com uma VONTADE LOUCA de escrever, queria algo DIRETO, que passasse o que eu senti hoje quando vi as matérias sobre Senna. Mas, ao ler sites alheios e ver detalhes como esses, vi que apenas falar o que todos já sabem, mas que raramente aplicam no seu dia-a-dia, não condiria com a história desse homem.

Mesmo que esse papo da bandeira da Áustria não tenha fontes verdadeiras, ele só reafirma a nobreza e o CARÁTER de Senna. Estáapi uma boa palavra que nos remete a ele: CARÁTER. Valores, enraizados, demonstrados em cada entrevista. O lado determinado, agressivo e ambicioso nas pistas, para quem apenas a vitória importava, contratava com o homem calmo e acolhedor visto fora dos carros. Senna, mais que títulos e história, deixou uma das maiores bandeiras que levava consigo: a solidariedade. O Instituto Ayrton Senna é uma pequena amostra desse Senna humanitário, preocupado com os valores a serem passados para as crianças. "Se a gente quiser modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar, por meio da educação", dizia ele.

Aqui, serei mais uma (futura) jornalista que tentará em vão qualificar Senna, e tentar explicar POR QUÊ CONTINUA SENDO tão importante para o Brasil. A permanencia de ideais, a perseguição dde seus objetivos de vida, a visão da educação como ferramenta para a chegada ao país de fato do futuro, além da paixão INCONDICIONAL que tinha pelo Brasil são algumas das justificativas para o título desse post. Senna foi, é e será o que quase nenhum de nós que habitamos essa terra jamais seremos: BRASILEIROS. Por maior que sejam as adversidades.

E eu me incluo nisso. Alguns fatores me brocham de tal forma a respeito do nosso país, que chego a rir das manchetes de jornais quando elas se mostram empolgadas em relação ao pré-sal, a uma melhora, ainda que pequena, na educação, no sistema de saúde público e na organiação político-administrativa do nosso país (sendo esse último quesito motivo de piadas e deboches por toda a vastidão verde-amarela).

Os heróis nascem de uma coletividade. Do anseio, da necessidade de um grupo que vê no herói o grande idealizador e efetuador desse ideal. Desde que o Brasil É Brasil, a falta da idéia de Nação é um dos problemas mais crônicos que temos - mais antigo que a corrupção, acredite. Uma figura que UNA o país, não só a cada 4 anos com as Copas do Mundo, ou a outros 4 anos com o pipoque de uma medalha olímpica com dizeres mal ensaiados do hino nacional, que CLAME valores como A EDUCAÇÃO, O CARÁTER, A SUPERAÇÃO E A BUSCA INSCONSTANTE PELO SEU MELHOR - cada vez mais raros não só no Btasil, mas em todo o mundo- e ELIMINE aquela sensação de "de novo, aqui sempre é assim" (ainda que momentaneamente) é algo tão MARCANTE que nem um LIVRO INTEIRO, ou mil páginas desse ou qualquer outro site, poderão evidenciar de modo objetivo a GRANDIOSIDADE e a IMPORTÂNCIA de Senna.

Veja nos dias de hoje. Diferentemente de Senna, outros grandes nomes do esporte nacional - Ronaldinho, Kaká, Falcão, Giba, Bernardinho, Daiane dos Santos, Mauren Maggi - por mais vitoriosos que sejam (independente de medalhas) não levantam bandeiras além da verde amarela quando es~tão lá, no alto do pódio. A diferenciação de Senna vem justamente DAÍ: vindo de família abastada, Senna não deixou que isso fizesse dele MAIS UM GANHADOR de partidas, jogos, torneios. Senna construiu um nome, e mais que isso: usou-se dele para discutir de questões TÃO URGENTES e propositalmente IGNORADAS, desde que o o mundo é mundo e o Brasil é Brasil. A educação, o seu poder de transformação na sociedade, sua capacidade de trazer não só o progresso econômico-científico mas também a justiça social e promover a formação de verdadeiros CIDADÃOS, capazes de lutar pelo país que desejam ter, ilustra a magnitudade de Senna. Valores como ÉTICA, SUPERAÇÃO, AMOR PELO QUE FAZ E HUMILDADE - ciente de suas limitações, por mais que títulos parecessem dizer o contrário. Isso É Ayton Senna.

Só resta-nos agradecer. Aplaudir. Deixar umedecer nossos olhos toda vez que o "tan tan tan.." tocar, forte e imponente, mais uma vez. E NÃO DEIXAR QUE SENNA MORRA DE FATO.

"O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho." (Ayrton Senna)


http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/140_sennatenyears/